Foi bonita a festa, pá Fiquei contente Ainda guardo renitente Um velho cravo para mim Já murcharam tua festa, pá Mas certamente Esqueceram uma semente Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar Tanto mar, tanto mar Sei, também, quanto é preciso, pá Navegar, navegar Canta primavera, pá Cá estou carente Manda novamente Algum cheirinho de alecrim (Tanto Mar - Chico Buarque)
Michael Jackson, ainda menino, após deixar o Jackson Five, iniciou carreira-solo com o sucesso Ben. Tenho o compacto duplo de vinil lançado em 1972, ainda com What Goes Around Comes Around, no lado A, e In Our Small Way e Shoo Be Doo Da Day, no lado B. Éramos adolescentes. Tanto ele quanto eu e sua legião de fãs. No ano seguinte, ele emplacou nas paradas com Music And Me. Cantei muito essa música na aula de Inglês. Quem não conhece pode ouvir:
Quero ser juiz de Direito sem exigência de diploma
Gadelha Neto, jornalista (*)
A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo. Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal ?martelada?. Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos. Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei ? durante o curso de jornalismo (!) ? filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética ? entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc. Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo. Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis ? e elas são justas em si ? existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente ? usando da simplicidade do STF ? seguir a ?receita de bolo? descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos? Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha ? por favor, compreendam), quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.
(*) O texto acima é de autoria do colega jornalista Waldemar Gadelha Neto e me foi enviado por e-mail. Ele reflete o sentimento dos jornalistas profissionais brasileiros que foram aviltados na quarta-feira com a decisão do Supremo Tribunal Federal, numa votação por 8 a 1, de suspender a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo ou Comunicação Social para o exercício da profissão.
A Secretaria de Estado da Saúde anunciou que vai deixar de fornecer medicamentos básicos a quem apresentar receita expedida por médicos de planos de saúde ou de clínicas particulares na farmácia do Ambulatório de Especialidades Médicas (AME), situada na Aparecida, em Santos. Essa notícia causa espanto. A saúde é um direito garantido no Artigo 6º da Constituição Brasileira. A vida e a igualdade também são garantias estabelecidas no Artigo 5º da Carta Magna.
É certo que são muitas as pessoas que não têm condição de pagar um plano ou uma consulta particular. Essas certamente não terão como comprar remédios e devem, sem dúvida, recebê-los gratuitamente. Mas garantir o direito a uns e negá-lo a outros, principalmente na área de saúde, é um desrespeito à Constituição.
Um cidadão que paga um plano de saúde não é necessariamente alguém de muitas posses, assim como o que recorre a médico particular. Há os que utilizam plano de empresa, por exemplo. Existem ainda os que não suportariam esperar meses por uma consulta na rede pública e dão um jeito de pagar uma consulta. Em muitos casos, essa decisão é a diferença entre viver e morrer.
É bom lembrar ainda que quem mantém um plano está colaborando para desafogar o atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que, por lei, deve assistir todas as pessoas que necessitem de seus serviços. E lei foi feita para ser cumprida, inclusive pelo Estado.
Um dos princípios que regem o SUS é a universalidade, já que ele é mantido por todo cidadão que paga imposto no Brasil. Portanto, deixar de atender a pessoas que procuram a farmácia de ambulatórios públicos e que tenham passado por médicos de convênios ou particulares é um ato discriminatório e injusto. É uma violação à Carta Magna do País. Em outras palavras, um crime.
Duas versões para Bicho de Sete Cabeças. Uma, com Geraldo Azevedo, instrumental e cantada. Outra, com Zeca Baleiro. Pena que o vídeo do Zeca não esteja muito bom. No disco, é uma obra-prima que foi trilha sonora do filme homônimo, protagonizado por Rodrigo Santoro, lindo e talentoso ator.
A música é de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo. A letra, de Renato Rocha.
Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, por ocasião da estreia do filme, Geraldo Azevedo conta que compôs a melodia de Bicho de Sete Cabeças com Zé Ramalho com tanto esmero que Ramalho caiu de amores pela música. Eles misturaram barroco, clássico, mouro e chorinho e batizaram a composição como Dezesseis Cordas. Isso no início dos anos 70.
Sem que Zé Ramalho soubesse, Geraldo pediu que Renato Rocha fizesse uma letra para a música. E ele fez. Só que Zé Ramalho não gostou e solicitou a Geraldo que, toda vez que a interpretasse com a letra, a chamasse de Bicho de Sete Cabeças II. Seu desejo foi cumprido, para que a amizade não trincasse.
Com ou sem letra, a música é realmente muito bela. E empresta ao filme, na cena final, a chave de ouro. Ouçam:
Quanto mais o tempo passa, quanto mais eu conheço gente, mais me identifico com o personagem Iona Potapov, criado por Anton Tchékhov no conto Angústia.