Hoje está um dia de sol tão brilhante e baixa umidade do ar. Legal para os cabelos femininos (e talvez para os masculinos também), que ficam mais sedosos e menos rebeldes. Aquela nossa constante umidade nos dá trabalho em termos capilares.
Mas não queria falar nada disso. Quero homenagear a Fabiana que se tornou mãe no dia 1º e vai passar o primeiro dia das mães com seu pimpolho Lucas.
Também me lembrei da Diguê que está em Londres, feliz da vida, mas ainda sentindo falta da internet. Tive vontade de contar a ela que a CPFL Piratininga começou a instalar postes de energia elétrica no Iriri, bairro da área continental de Santos, que ainda vive na total escuridão. A única coisa boa do breu é que a comunidade ainda pode ver o céu cheio de estrelas à noite. A Diguê fez várias reportagens cobrando luz e até ganhou um prêmio (uma viagem a Londres). Anos mais tarde e uma viagem depois, parece que a energia elétrica vai se tornar realidade.
Para todos, ofereço essa flor que fotografei no domingo. Chama-se Ciclame (cyclamen persicum). A Nara Leão cantava uma música que falava nela: ''Ciclame, meu bem me chame/No céu azul pra chover/Me ame e chame meu nome/no meio do teu prazer''.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Ouça Caetano Veloso e Elza Soares cantando ''Língua'', uma preciosidade (de 1984) de autoria do compositor e cantor baiano, filho de dona Canô e irmão de Maria Bethânia. Depois, leia a letra abaixo do vídeo, tirado do Youtube. (A dupla cantou na Discoteca do Chacrinha. Faz tempo!)
Língua (Caetano Veloso)
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar a criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixe os Portugais morrerem à míngua “Minha pátria é minha língua” Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas! Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate E – xeque-mate – explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do lobo do homem Lobo do lobo do lobo do homem Adoro nomes Nomes em ã De coisas como rã e ímã Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã Nomes de nomes Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção Está provado que só é possível filosofar em alemão Blitz quer dizer corisco Hollywood quer dizer Azevedo E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo A língua é minha pátria E eu não tenho pátria, tenho mátria E quero frátria Poesia concreta, prosa caótica Ótica futura Samba-rap, chic-left com banana (– Será que ele está no Pão de Açúcar? – Tá craude brô – Você e tu – Lhe amo – Qué queu te faço, nego? – Bote ligeiro! – Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado! – Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho! – I like to spend some time in Mozambique – Arigatô, arigatô!) Nós canto-falamos como quem inveja negros Que sofrem horrores no Gueto do Harlem Livros, discos, vídeos à mancheia E deixa que digam, que pensem, que falem.
(Transcrevo aqui este poema da atriz, escritora e jornalista Elisa Lucinda, porque expõe o que, certamente, muita gente gostaria de ter escrito. Eu, inclusive).
Da chegada do amor
Autora: Elisa Lucinda
Sempre quis um amor que falasse que soubesse o que sentisse. Sempre quis um amor que elaborasse Que quando dormisse ressonasse confiança no sopro do sono e trouxesse beijo no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor que coubesse no que me disse. Sempre quis uma meninice entre menino e senhor uma cachorrice onde tanto pudesse a sem-vergonhice do macho quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo BOM DIA! morasse na eternidade de encadear os tempos: passado presente futuro coisa da mesma embocadura sabor da mesma golada. Sempre quis um amor de goleadas cuja rede complexa do pano de fundo dos seres não assustasse. Sempre quis um amor que não se incomodasse quando a poesia da cama me levasse. Sempre quis um amor que não se chateasse diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda metade de mim rasga afoita o embrulho e a outra metade é o futuro de saber o segredo que enrola o laço, é observar o desenho do invólucro e compará-lo com a calma da alma o seu conteúdo. Contudo sempre quis um amor que me coubesse futuro e me alternasse em menina e adulto que ora eu fosse o fácil, o sério e ora um doce mistério que ora eu fosse medo-asneira e ora eu fosse brincadeira ultra-sonografia do furor, sempre quis um amor que sem tensa-corrida-de ocorresse. Sempre quis um amor que acontecesse sem esforço sem medo da inspiração por ele acabar. Sempre quis um amor de abafar, (não o caso) mas cuja demora de ocaso estivesse imensamente nas nossas mãos. Sem senãos. Sempre quis um amor com definição de quero sem o lero-lero da falsa sedução. Eu sempre disse não à constituição dos séculos que diz que o "garantido" amor é a sua negação. Sempre quis um amor que gozasse e que pouco antes de chegar a esse céu se anunciasse.
Sempre quis um amor que vivesse a felicidade sem reclamar dela ou disso. Sempre quis um amor não omisso e que suas estórias me contasse. Ah, eu sempre quis um amor que amasse.
''Só erra quem produz. Mas só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança''
(autor: Octávio Paz, poeta, escritor e diplomata mexicano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1990)
Eram cerca de 21 horas. Eu estava na Redação do jornal, no Centro de Santos, quando senti a bancada de computadores tremer. A impressão era de que alguém estivesse se balançando e fazendo a bancada se balançar também. Olhei para o repórter sentado em frente. Estava quieto. Procurei outra pessoa que estivesse sentado ao lado dele. Não havia ninguém. O balanço continuou por segundos. Até que, em outra bancada, outro repórter gritou: ''O prédio balançou, vocês sentiram?''.
Desse instante em diante, os telefones não pararam de tocar. Eram leitores relatando que sentiram seus apartamentos ou casas tremerem, objetos se moverem, trepidarem ou tilintarem. Eram pessoas de todas as cidades da Baixada Santista. Imediatamente, pensamos que fosse reflexo de algum terremoto em outro país da América do Sul. Normalmente, sentimos os reflexos.
Não demorou para termos as informações precisas. O tremor fora sentido em todo o Litoral Paulista, na cidade de São Paulo, no interior do Estado, no Rio de Janeiro, no Sul de Minas Gerais, no Paraná e em Santa Catarina.
O epicentro se deu bem perto de nós, no Oceano Atlântico, a 215 quilômetros da costa de São Vicente, e mediu 5,2 graus na escala Richter, que chega até 8 graus. Foi o maior terremoto do Estado de São Paulo desde 1920.
Por sorte, não houve feridos, nem desabamentos. Especialistas disseram que não havia também risco de uma tsunami (onda gigante).
Muita gente passou a se perguntar se não seria reflexo das escavações marítimas para exploração de gás e petróleo na Bacia de Santos. Não sabemos ainda. O certo é que recentemente o Ibama queria que fosse interrompida a prospecção, porque havia relação entre as ondas sonoras emitidas por essas escavações e a morte e desorientação de baleias e outros animais marinhos, que estavam se perdendo e chegando à costa da Baixada Santista.
A edição do jornal teve que ser mudada às pressas. Fechamos por volta da 1h15 da manhã.
E você, se assustou? Conte como foi, deixando um comentário.
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Ultimamente não tenho escrito poemas. Houve épocas mais produtivas nesse gênero.
Em 15 de abril de 1992, escrevi este abaixo:
Solo de clarineta
(Lídia Maria de Melo)
Para mim, bastava
teu solo de clarineta
na praia brava do Norte,
no berço morno da noite,
terça de Carnaval.
Bastava,
como um carinho,
que as notas mansas
me percorressem,
me enovelassem
de emoção.
E a carruagem transcenderia
os encantos da grande hora
e eu, princesa, não ficaria,
como no conto,
com o pé desnudo,
como em meu sonho,
símbolo mudo que se repete,
buscando em vão.
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Enquanto todo mundo comenta (inclusive eu) o papel da imprensa na cobertura da morte da menina Isabella, enquanto todo mundo quer saber quem é o autor do crime, há quem consiga fazer outro tipo de reflexão. Leia:
''Para Isabella"
(Príncipe Égler)
Nós, os chamados adultos, desejamos ensinar tudo às crianças, principalmente quando elas começam pronunciar as primeiras frases, não nos cansamos de repetir as palavras, a fim de que elas aprendam a falar de forma que julgamos ser a exata.
Nós lhes ensinamos as letras, os algarismos, as maravilhas das cores, viajamos com elas nos contos dos livros, auxiliando-as a descobrir as maravilhas do mundo e da existência humana.
Afinal, somos mais tarimbados porque já vivemos vários anos a mais do que elas. Mas existem verdadeiras lições com muita propriedade e sabedoria que esses seres nos ensinam, todos os instantes, em todos os dias.
Se uma criança se machuca, ela não se importa se é um pequeno ou grande o machucado, imediatamente ela chora e procura o remédio no colo da mãe, do pai. Chorando, ela informa que aquilo está sofrendo. Buscando o conforto, ela deseja ser acarinhada, auxiliada. Isso sem dúvida serve de lição para gente grande: "Você não precisa agüentar a dor sem chorar".
A criança nos grita todos os dias, que é muito bom viver, que o mundo apesar das desigualdades é belo e que não há limites para o sonho, para a fantasia em nossa imaginação.
Ela nos afirma, com suas manias, caras e bocas, que podemos sim sonhar, sem perder a esperança num mundo melhor, que apesar de sofrer os contra-golpes da vida não podemos cair no desânimo, na fúria louca da vida moderna.Enfim, a criança nos ensina que a esperança precisa ser como a estrela que brilha diante dos nossos olhos, a ter a certeza de que depois de uma atribulação o sol despertará e o amanhã virá com um brilho do novo, trazendo oportunidades daquilo que existe para ser conquistado...
A criança nos mostra que necessita ter alegria pura e plena, que muitas vezes nós, os chamados adultos, não permitimos que elas desfrutem.
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Ontem, terça-feira, escrevi no Papo com Editor, no site de A Tribuna Digital, um comentário sobre as falhas na prestação de serviço de telefonia, TV a cabo, internet banda larga. Leia abaixo, com os comentários que foram postados.
Terça-Feira, 15 de Abril de 2008, 08:56
Falhas das operadoras devem ter reembolso automático
Lídia Maria de Melo Editora de Local
Outro dia, cheguei em casa e, ao ligar o computador para ler e responder a meus e-mails, percebi que a internet banda larga estava sem conexão. A televisão também não sintonizava nenhum canal a cabo. Em vez de imagens, havia somente uma tela azul.
Telefonei para a prestadora de serviço, mas uma gravação informava que o atendimento encerrara-se à meia-noite. Se desejasse mais informações, poderia acessar a internet. Como a minha estava fora do ar, a quem poderia recorrer?
Fui salva por uma conexão discada que ainda mantenho e havia muito não utilizava. Parecia um retrocesso ter que ouvir de novo o som da conexão telefônica e ainda ser obrigada a pagar duplamente por um mesmo serviço (a ligação telefônica e a banda larga que não funcionava).
No dia seguinte, telefonei para a operadora, na tentativa de pedir o ressarcimento proporcional pelo tempo em que o serviço ficou interrompido. Utilizei o número que consta no boleto mensal, mesmo sabendo que a ligação não é gratuita.
O funcionário que me atendeu manteve-me na linha por 15 minutos aproximadamente, sempre me pedindo para aguardar enquanto efetuava os cálculos para a devolução. Como ele não chegava ao resultado das contas, meu tempo se perdia e meu gasto telefônico aumentava.
No final dos 15 minutos, quando reclamei da demora, ele me pediu para ligar mais tarde: ‘‘O sistema caiu, senhora’’.
Indignada, solicitei um outro número gratuito, do tipo 0800. Ele forneceu, mas não quis informar seu nome completo. Desliguei, decidida a recorrer ao órgão do consumidor. Não tomei essa providência, por falta de tempo, mas me senti várias vezes lesada: paguei, mas fiquei sem o serviço de TV a cabo; não pude utilizar a internet banda larga, também paga; perdi tempo; tive que arcar com os gastos de uma ligação telefônica inútil de 15 minutos; paguei pelo período que usei a internet discada; e não obtive nenhum desconto em troca do serviço não-prestado da TV a cabo e da conexão banda larga.
Acho que muitos leitores já enfrentaram situações semelhantes a essa. Por isso, é muito bem-vindo o Projeto de Lei nº 591/2007, do senador Marcelo Crivella (PRB/RJ), que determina abatimento de valor proporcional ao tempo de serviço não-prestado nas áreas de telefonia, TV por assinatura e internet, sem que o usuário tenha que solicitar. Se houver uma falha técnica, a empresa já deverá aplicar o abatimento nas mensalidades dos usuários, conforme explica matéria publicada na edição impressa do jornal A Tribuna desta terça-feira.
Atualmente, o usuário tem que pedir o desconto, mas nem sempre é atendido. Apesar da Lei de Concessão do Serviço Público e da Lei Geral de Telecomunicações, as prestadoras de serviço ainda agem a seu bel-prazer. E o prejuízo é sempre do consumidor. Com o projeto de Crivella, os ventos devem mudar de direção.
Hélio Amarante
O sistema de leis que permite as estas empresas usufruírem do serviço publico em concessão é muito benemerente, pois fazem o que querem bricam com o consumidor, enfim parece que não estão nem aí , não é só o sistema de internet, o sistema de telefonia parece piada. Se não forem tomadas providências quanto a estes espertos ficaremos sempre reféns destes serviços. E não adianta trocar, a porcaria de serviço continua a mesma, voltemos à idade da pedra, tempo bom era só fazer o sinal de fumaça.
Carlos Gama
Lidia, bom dia! Excelente e oportuníssima a matéria sobre os "reféns" das concessionárias de serviços de telecomunicação. Somos reféns, porque o governo "lavou as mãos" (eximiu-se de responsabilidade) transferindo para os cabides de emprego chamados de "agências" as decisões sobre esses desserviços. As operadoras, acobertadas, não dão um mínimo de atenção ao usuário e é muito difícil comprovar a ineficiência do serviço para, então, poder cobrar o que é de direito na justiça assoberbada e morosa. Já que você abordou de forma clara e concisa toda a maratona (corredor polonês) que nós, os consumidores, vivemos, eu gostaria de lembrar a possibilidade de estar ocorrendo uma nova situação neste mercado, que está nas mãos de dois ou três "grupos": As velocidades de navegação vêm aumentando aceleradamente e os usuários antigos, cuja velocidade anda geralmente muito aquém do contratado, têm a quase certeza de que estão sendo acuados para assinarem novos contratos.
Marcelo
Lídia, vale lembrar que quando o senhor FHC promoveu a privatização da telefonia a promessa era de melhorar os serviços. Mas o que ocorreu foi que tomaram nosso telefone (eu havia comprado uma linha antes da privatização, a Telefônica a tomou de mim e passou a cobrar uma taxa por ela), os serviços pioraram e não temos sequer a quem reclamar. Vamos ver se desta vez com esse projeto os congressistas votam a favor do povo, pra variar.
Fabiana Honorato
Oi Lídia! Que oportuna essa matéria e o seu comentário. Acessei a internet agora justamente para sugerir uma pauta sobre esse absurdo. Sou cliente da NET e, por isso, refém três vezes: do telefone, da conexão e da TV a cabo. Não é raro ficarmos sem o sinal dos canais pagos pelo menos duas vezes ao mês, enquanto a tela exibe: manutenção temporária ou algo parecido. Já o telefone é um pouco mais complicado. Mas não importa o quanto seja irritante, temos que perturbar o serviço de atendimento ao cliente e, se necessário, apelar para os órgãos de defesa do consumidor. Está na hora de entendermos que a relação com o consumidor precisa de muito mais do que as entusiasmadas mensagens gravadas por simpáticas vozes femininas.
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Um poeminha. Dentre tantos que já fiz, este é um dos que menos gosto, mas é oportuno. Escrevi em 18 de setembro de 1983.
Castração
(Lídia Maria de Melo)
O medo
é uma faca
rompendo
o magnetismo fluente,
resumindo
os olhares.
Uma faca
cravada
no sonho.
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A vida me absorveu de uma maneira tão boa na última semana, que não tive tempo de escrever aqui. Mas foi por uma boa causa: viver!
Enquanto não coloco textos novos, vocês podem ir explorando os antigos e os links que coloquei do lado esquerdo.
Só para não parecer pouco caso ou displicência com a minha meia dúzia de leitores (agradeço os comentários que o pessoal tem deixado), vou publicar abaixo o comentário que escrevi para a coluna Papo com Editores, de A Tribuna Digital, sobre o Fator Previdenciário utilizado para calcular a aposentadoria. Na semana que acabou, o Senado aprovou o seu fim. Mas a Câmara dos Deputados ainda deve apreciar o projeto de novo. Leia:
Sexta-Feira, 11 de Abril de 2008
Fio de Esperança contra o Fator Previdenciário
Lídia Maria de Melo (Editora de Local)
Em dezembro passado, escrevi neste espaço sobre o impacto negativo que o anúncio do aumento da expectativa de vida no Brasil causava no valor das novas aposentadorias.
Hoje, volto ao assunto com um fio de esperança. O Senado aprovou projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS), que extingue o Fator Previdenciário, criado em 1999 pelo então presidente FHC e mantido nos dois governos Lula.
Se entrasse em vigor agora, voltaria a valer o cálculo de aposentadoria com base nos últimos 36 salários de contribuição à Previdência. Nesse caso, por exemplo, um homem de 54 anos, que ganha cerca de R$ 4 mil mensais e tenha contribuído por 35 anos (15 pelo teto),receberia de aposentadoria em torno de R$ 2.800,00. Atualmente, por essas mesmas referências, com o Fator Previdenciário, seu benefício não passa de R$ 1.600,00.
É prudente, no entanto, não festejar antes do tempo. O projeto de lei vai ser submetido, de novo, ao crivo da Câmara Federal, porque o Senado acrescentou emendas ao texto.
Mesmo que a bancada governista seja derrotada e o projeto passe, a sanção da lei está nas mãos do presidente Lula. É pública e notória sua intenção de vetar a mudança, sob alegação de que a Previdência não suportaria as despesas. Até parece que os rombos nos cofres da Previdência são fruto das aposentadorias!
Nossa única chance é o poder de pressão, a exemplo do que faz muito bem o povo argentino. O presidente sabe que o desgaste político em um ano eleitoral será impactante.
De qualquer modo, é bom lembrar, principalmente, aos que estão com o pedido de aposentadoria em andamento ou em vias de ser efetuado: convém esperar. Não é justo ter sido surpreendido com as mudanças das regras, em 1999, na reta final do jogo e, agora, perder a oportunidade de se beneficiar com a retomada das condutas anteriores.
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