Associação Brasileira de Imprensa
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Site da Associação Brasileira de Imprensa traz entrevistas, artigos, revista on-line, história recente do Brasil, entre outros itens que interessam aos jornalistas e estudantes de jornalismo. Vale abrir o link http://www.abi.org.br/jornaldaabi/Suplemento_Especial_Vlado-2005.pdf e ler o suplemento em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog (Vlado), em especial o artigo de Ricardo Kotscho intitulado As Duas Mortes de Vlado. É uma contundente reflexão sobre a filosofia atual dos jornalistas.
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Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h58
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Pequena análise do livro-reportagem A Sangue Frio, de Truman Capote
1ª parte
A Sangue Frio, de Truman Capote, é o relato de um múltiplo
crime ocorrido em 14 de novembro de 1959, na cidade de
Holcomb, no Kansas (EUA), que teve como conseqüência
o enforcamento de Perry Smith e Richard Hickock, os
assassinos, em 1965.
Trata-se de uma reportagem em que o autor, valendo-se
de um senso de observação permanentemente apurado, expõe a
transcendência dos fatos, das pessoas e das coisas e envolve o
leitor numa narrativa mesclada de descrições e dissertações.
No primeiro capítulo, Capote apresenta cada um dos
membros da família Clutter, com seus hábitos e características:
“Sempre seguro do que pretendia no mundo, o Sr. Clutter em
grande parte o conseguira. Na mão esquerda, no que restara de
um dedo mutilado por máquina, usava uma aliança de ouro, símbolo
de um quarto de século de casamento com a pessoa com quem
sonhava casar...” (p. 13). Também prende a atenção do leitor
pelos sentidos: “Situada ao fim de uma estreita e longa alameda
de frondosos olmos chineses, a bela casa branca , ao centro de
um amplo relvado de grama das bermudas, impressionava
Holcomb./ Era um lugar que o povo gostava de mostrar. Quanto
ao interior, ostentava manchas de tapetes de um
castanho-avermelhado , quebrando alternadamente o
brilho do chão encerado e rangente ; um imenso sofá moderno
na sala de estar, coberto por um tecido encaracolado e entremeado
de fios cintilantes de metal prateado; na copa uma banqueta
forrada de plástico azul e branco” . ( p.16).
(continua abaixo)
Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h18
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Pequena análise do livro-reportagem A Sangue Frio, de
Truman Capote
2ª parte
Para criar um clima de expectativa e suspense, próprio
das narrativas de crimes, o autor alterna cenas do cotidiano
da família Clutter com os preparativos da dupla para o
assassinato, como se fossem tomadas cinematográficas.
E, ao descrever os lances da viagem dos criminosos, torna
o leitor um passageiro do carro deles.
Exs.: “A pequena cidade de Holcomb está situada nas
altas planícies de trigo do oeste de Kansas (...) A terra é plana e
as paisagens assustadoramente vastas. Cavalos, manadas de gado,
um amontoado branco de silos erguendo-se graciosos como
templos gregos, são vistos pelo viajante, muito antes de a eles
chegar” (p.9).
... “Depois de tomar um copo de leite e colocar um boné de lã,
o Sr. Clutter saiu de maçã em punho para examinar a manhã.
Era o tempo ideal para comer maçãs”(p. 18).
... “Assim como o Sr. Clutter, o rapaz sentado na lanchonete
não tomava café. Preferia root beer.(...) Bebericando e fumando,
estudava um mapa aberto à sua frente, no balcão (um mapa
Phillips 66 do México), mas era difícil concentrar-se, pois
esperava um amigo e o amigo estava atrasado” (p. 22).
O clímax é atingido com a narração, recheada de descrições,
dos últimos atos dos personagens antes do crime: “O quarto de
Nancy era o menor de todos, e também o de mais personalidade:
um quarto de menina, claro e engomado como um saiote de
bailarina...” (p.72).
Anotações no diário: “Jolene K. apareceu e eu mostrei como
é que se faz torta de cereja. Ensaiei com Roxie. Bobby esteve
aqui e vimos TV. Foi embora às 11 horas” (p.74).
Os assassinos: “_ É aqui, é aqui, tem que ser aqui, tá ali a
escola, a garagem, agora a gente pega o sul” (p.74).
(continua abaixo)
Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h17
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Pequena análise do livro-reportagem A Sangue Frio, de Truman Capote
Última parte
Até que o crime se concretize, Capote é um narrador
onisciente (aquele que conhece todos os acontecimentos,
até mesmo os pensamentos dos personagens). A partir daí,
o leitor toma conhecimento das cenas monstruosas protagonizadas
por Perry Smith e Richard Hickock, por meio das confissões
dos próprios assassinos, já que o autor lança mão do discurso
direto, e torna-se testemunha das confissões e do caráter
controvertido da dupla.
“_ Tem ele. Ela. O garoto. A garota. Talvez até os outros dois.
Mas é sábado. Talvez tenham hóspedes. Oito digamos. Talvez até
doze. A única coisa certa é que todos têm que ‘empacotar’.
_ Não é como te prometi, queridinho, miolo por tudo
quanto é parede?
_ Cem metros de fio: o bastante para doze pessoas”
“_ Acendi as luzes (...). Vi uma caixa de papelão enorme
na parede. Uma caixa de colchão. Achei que não devia pedir
que ele se deitasse no chão frio; então arrastei a caixa achatei-a
e falei para que se deitasse”.
Para obter o resultado que esperava, ou seja, a composição
de um romance-reportagem, o autor utiliza técnicas estruturais
literárias, conjugando-as com as jornalísticas. Com isso, abre a
possibilidade de novas abordagens estéticas no jornalismo.
Com o tema, Capote levanta polêmica sobre a pena de
morte, as leis em vigor no Kansas e o resultado e a eficácia
de exames psicológicos requisitados pela Justiça.
Lídia Maria de Melo
Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h16
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Meu livro na Biblioteca do Congresso Norte-Americano
http://catalog.loc.gov/cgi-bin/Pwebrecon.cgi?v1=3&ti=1,3&Search%5FArg=Raul%20Soares&Search%5FCode=TALL&CNT=25&PID=20551&SEQ=20060416041301&SID=1
Classificação: 
Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós está catalogado na Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
Categoria: Link
Escrito por Lídia Maria de Melo às 04h17
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Uma dica
Clique nas entradas à esquerda e depois role a tela.
É mais prático para escolher os assuntos e ler.
Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h36
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Porta Curtas (filme curto nacional)
http://www.portacurtas.com.br/
Classificação: 
Um site que divulga o filme curto nacional. É patrocinado pela Petrobras.
Permite que o usuário faça sua cinemateca, depois de se cadastrar.
Destaque especial para o filme Ilha das Flores.
Categoria: Link
Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h35
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Museu da Pessoa
http://www.museudapessoa.net/
Classificação: 
Museu virtual de histórias de vida. Qualquer pessoa que queira compartilhar sua história pode participar gratuitamente do museu.
Categoria: Link
Escrito por Lídia Maria de Melo às 04h32
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Processo de criação
A criação de um texto está sempre
relacionada a uma história.
A composição do meu poema Tua casa. Teu perfil
não escapou a essa regra.
Em abril de 1990, a editora do Caderno de Reforma
e Decoração, que seria encartado, em formato tablóide,
no jornal A Tribuna, edição de 26 de maio daquele
ano, perguntou-me se eu tinha uma poesia ou prosa
sobre aquele tema.
Para a página 2, verso da capa, ela havia idealizado
a publicação de um texto ilustrado.
Eu não tinha, mas aceitei o desafio de escrever.
À noite, quando cheguei a minha casa, sentei na sala
e imaginei uma pessoa estranha excursionando por ela
e tentando desvendar a personalidade de quem ali morava.
Foi assim que, no dia 24 de abril de 1990,
nasceu o poema que foi publicado como
Tua casa. Tua cara e teve ilustrações do Seri.
Mais tarde, mudei o título. Abaixo, transcrevo-o
em três partes. Só assim ele cabe neste blog.
Lídia Maria de Melo (segue...)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h53
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Tua casa. Teu perfil
(Parte 1)
Num cochilo do porteiro
roubo a chave do quadro
pé ante pé sorrateiro
galgo ao terceiro andar.
Um giro na fechadura
um outro, na maçaneta
correr de olhos ligeiros
o teu mundo se revela
Na gravura de Ouro Preto
o mistério de teus gestos
a elegância de teu porte
requinte de beija-flor.
A mistura de estilos
deslizando pelos cantos
entre versos de Pessoa
e enredos de Piñon.
Prato inglês de porcelana
tons de branco e marrom.
Chapéu de corte exótico
sombreando teu olhar
(continua...)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h11
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Tua casa. Teu perfil
(Parte 2)
siamês. E o sorriso
bronzeado no retrato.
Moldura de madrepérola
no piano. A janela.
Surpreendo a pulseira
jade e prata displicentes
sobre a mesa de madeira
brilhando cera-jasmim.
Os teus modos sacrossantos,
face e cabelos ciganos
estampados na escultura
mulher de pedra-sabão.
O videocassete preto
guardando Cármen, de Saura.
Recostado na estante
o Bolero, de Ravel.
Nunca te vi dançar
tango, lambada ou tuíste,
mas a cozinha me mostra
teu bailado, teu tempero.
(continua...)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h01
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Tua casa. Teu perfil
(Última parte)
o teu cheiro no banheiro
xampu, perfume indiano
a bota de couro cru
no tapete macramê.
A cortina entreaberta
o vestido de flanela
a cadeira de balanço
almofadas pelo chão.
Um mosaico de segredos
nos teus passos de gazela
nos detalhes, nas paredes
tua cara, teu perfil.
Pelas frestas entram raios
arco-íris, tons vermelhos
teus desejos espalhados
num pedaço de espelho.
(Lídia Maria de Melo - 24/4/1990)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h58
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Lídia
(Poema de Ricardo Reis, heterônimo do poeta
português Fernando Pessoa)
Buscar na Web "Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa"
Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde que quer que estejamos.
Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde quer que moremos,
Tudo é alheio
Nem fala língua nossa.
Façamos de nós mesmos o retiro
Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.
Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso.
(Lídia era a musa inspiradora de Ricardo Reis.
Leia outros poemas do autor no Jornal da Poesia,
no site http://www.revista.agulha.nom.br/reis.html )
Categoria: Citação
Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h00
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Dica
Leia o conto Pelo Deleite do Ócio, Por Conta de
Uma Ousadia, clicando na Categoria - Meus Poemas
e Contos, à esquerda (depois, role a tela).
Se você preferir poesia, já coloquei alguns poemas.
Com o tempo publicarei mais.
Quando tiver mais um tempo livre,
leia também o Bala Perdida, premiado em 1997.
É só clicar, à esquerda, em Outros Links _
Meu Conto Bala Perdida.
Passe também pelos outros links à esquerda e
veja as reportagens, entre outras informações.
Fique à vontade. 
Escrito por Lídia Maria de Melo às 13h48
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ENTREGA
No dia em que me apaixonei
pelo violão
aprendi a tocar.
A paixão é meu alimento.
Quando ouvi de você : “eu te amo”,
permiti que me tocasse.
Meu corpo é sagrado.
O amor é minha religião.
(Lídia Maria de Melo - 1984)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h32
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Museu da Língua Portuguesa
http://www.museudalinguaportuguesa.org.br
Classificação: 
Nesse site, você pode conhecer as atrações dos espaços interativos e muito mais sobre o museu que funciona na antiga Estação da Luz, na cidade de São Paulo.
É possível acessar também pelo endereço www.estacaodaluz.org.br
Categoria: Link
Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h22
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Polissemia
Nunca se deve procurar o sentido de uma palavra fora do contexto.
Isolado, um vocábulo pode significar tudo ou simplesmente nada.
Para um carcereiro, por exemplo, ''disciplina'' pode ser uma conduta comportamental.
Um estudante pode entender, de imediato, que é qualquer uma das matérias que ele aprende na escola (Português, Matemática, História...)
É bom pensar sobre isso. A polissemia pode ser responsável por muito mal-entendido.
Até mais. Lídia Maria de Melo (limarmello@bol.com.br)
Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h17
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Pelo deleite do ócio, por conta de uma ousadia - parte 1
Lídia Maria de Melo
Aos 80 anos, para mais nada era cedo.
Saiu do elevador sorrateiro, ignorando o chamado da nora pelo interfone e sem cumprimentar o zelador. Assim evitaria indagações. Estava cansado dos cuidados e da histeria dela no controle da casa, do filho com os canhotos dos cheques e dos netos pelo computador. Queria comer tranquilo sua feijoada, tradição sabatina de quem não perdera o gosto pela vida e seus temperos. Tinha urgência desses prazeres. Já vivia seu futuro.
E foi pensando nisso que alcançou o calçadão da praia, antes de escolher o restaurante onde iria almoçar. Com a nova estação, os chapéus-de-sol já estavam desnudos e a folhagem formava um tapete para o vaivém indiferente de rapazes e moças. No seu tempo, melhor dizendo, na sua juventude, porque seu tempo era agora, só os pedestrianistas gastavam energia correndo pra lá e pra cá. Agora era uma febre, mas não deixava de ver beleza naquela coreografia de corpos exuberantes.
(continua...)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 13h54
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Pelo deleite do ócio, por conta de uma ousadia - parte 2
Quando chegou à cidade, 65 anos atrás, pensou que seus canais revestidos fossem córregos domesticados pela artimanha de algum desvairado. Depois descobriu a finalidade sanitária daqueles drenos fincados no solo encharcado e aplaudiu. Agora andavam querendo cobrir esse íntimo artifício geográfico, para criar bolsões de estacionamento. Coisa de gente sem história e sem preocupação com a saúde pública. Fossem buscar solução para os arranha-céus recalcados na orla da praia. Essa providência traria benefício maior à população e à arquitetura.
Continuou andando sem rumo, apenas pelo deleite do ócio. O filho, a nora e os meninos deveriam desfrutar dessa preguiça, decerto economizariam o tanto que gastam para combater o estresse. Nisso ouviu um chamado do outro lado da rua. Acenou sem mostrar disposição de parar. Era o amigo psiquiatra, que ganhou notoriedade ajudando almas atormentadas da alta roda, mas não vencia a frustração de jamais ter conseguido libertar o filho e a filha de sua jurisdição, como ele mesmo costumava dizer. A moça, que já nem merecia ser assim chamada, pois já passava dos 50, ainda pedia permissão para sair à noite. O rapaz, um pouco mais novo, casou, era pai de filhos, mas nunca montou casa própria. Ainda ocupava cômodos da mansão do pai. “Casa de ferreiro, espeto de vara bem fraquinha”.
(continua...)
Categoria: Meus poemas, contos e fotos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 13h53
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Pelo deleite do ócio, por conta de uma ousadia - parte 3
Pouco antes de entrar no restaurante, vasculhou a memória na intenção de encontrar o nome do amigo psiquiatra. Estava na ponta da língua, mas não desgrudava. Sentou-se, pediu ao garçom uma caipirinha de pinga e a feijoada. Do início ao fim do almoço, fez novos esforços, mas só se recordou de Nico Fidenco, o porco criado pelo pai nos fundos do quintal de casa e lavado todos os dias para não cheirar mal.
Foi com Nico que começara a duvidar, aos 10 anos, da teoria de que os bichos eram irracionais. Irracionais eram o filho, a nora, os netos e todos os que desperdiçavam aquela portentosa tarde de sol, confinados em apartamentos diante de um computador. Nico atendia aos seus chamados e respondia às suas falas, grunhindo demoradamente. Sabia que haviam estabelecido um meio de comunicação. Só se sentia frustrado por não ser capaz de decifrar o que o amigo de estimação lhe transmitia.
Já adulto, um cão ajudou-o a reforçar a convicção de que os bichos também raciocinavam. De dentro de um ônibus parado, acompanhou a primeira tentativa que o animal fez para pular um muro. Como não conseguiu, ele tomou distância, observou, como se calculasse, e arriscou novo salto. Diante de outro fracasso, ele se afastou mais ainda e pulou, aí sim, na altura desejada. Se aquela sequência de en |