Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Mulher, Música, Livros, Filmes, Jornalista, Professora, Escritora. E-mail: limarmello@bol.com.br



Arquivos

    Categorias
    Todas as mensagens
     Link
     Citação
     Língua Portuguesa e Literatura
     Meus poemas, contos e fotos
     Ditadura militar
     Meus artigos
     Quem é Lídia Maria de Melo

    Votação
     Dê uma nota para meu blog

    Outros links
     Minha página no Orkut
     Minha Página de Vídeos no You Tube
     Comentários sobre o blog
     Ganhadores do Prêmio Vladimir Herzog (sou um deles)
     Meu Currículo Lattes (no CNPq)
     ........................
     Meu poema '' Entrega''
     Meu poema ''Tua Casa. Teu Perfil''
     Meu poema ''Mosaico''
     Meu poema ''Roteiro''
     Meu poema ''Ação das Palavras''
     Meu poema ''Sonho Real''
     Meu poema ''Recado de Deus''
     Meu poema ''Retrato'' e minha foto aos 4 anos
     Meu poema ''Sem Fronteira''
     ''Gil, Simplesmente Metáfora'' (comentário)
     Meu conto Bala Perdida
     Meu conto ''Como Um Poeta''
     Meu conto ''Pelo deleite do ócio, por conta de uma ousadia''
     Notícia sobre meu conto ''Como Um Poeta''
     Meu conto "Como Um Poeta'' na antologia da Unicamp
     Concurso de Contos da Unicamp (vencedores _ sou um deles)
     Minha dissertação de Mestrado (USP)
     Minha dissertação de Mestrado e outras (USP)
     Minha dissertação de Mestrado (Inep)
     Minha Dissertação de Mestrado - Capes (resumo)
     Minha dissertação de Mestrado (UFRGS)
     Áudio de entrevista sobre o Golpe Militar de 1964, após palestra minha no Sesc em maio de 2004
     Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós, reportagem sobre meu livro (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     A Tortura no Porto de Santos (artigo de Alessandro Atanes, que cita trecho de meu livro Raul Soares)
     Minha reportagem: Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', catálogo da Fundação Biblioteca Nacional
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
      Raul Soares - pronunciamento na Assembléia Legislativa em 2003
     Reportagem de Laire J Giraud que menciona meu nome e de meu pai
     Artigo sobre o golpe de 1964 (Laire José Giraud)
     Minha reportagem: Zuleika Alambert, a primeira deputada santista (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (A Tribuna)
     Minha reportagem: Atenta ao mundo, cronista Nair Lacerda faz 90 anos (A Tribuna -18.7.1993, reprodução no site de Santo André)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (site da Associação dos Magistrados Brasileiros, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: entrevista sobre Educação e Violência, publicada em 26 de junho de 2006 (A Tribuna)
     Minha reportagem: As conquistas de um menino que ''nunca iria aprender'' (Reprodução da Revista Nova Escola)
     Meu artigo: Coral de Bem-te-vis (publicado no Blog do Noblat)
     Meu artigo: Agressão no Futebol (publicado no Blog do Noblat)
     Meu comentário: Que sina! (sobre expectativa de vida e aposentadoria)
     Uma Prosa com a Poesia de Adélia Prado (Meu artigo)
     Licenças poéticas e musicais e a Língua Portuguesa
     Meu comentário sobre nova reforma ortográfica: ''Regras para todos, sem exceção''. (A Tribuna, 15/7/07)
     Eu na lista de alunos egressos da USP
     Participação em pesquisa na Escola de Comunicações e Artes da USP
     Reportagem sobre minha palestra (Jornais e Neologismos) no Intercom/2007 - Universidade Católica de Brasília
     Entrevista sobre Neologismos concedida a Ted Sartori
     Cidade de Santos (jornal) - fechado em 1987- imagens e textos -
     Lúpus (depoimento)
     As crônicas de Rubem Braga
     Narciso de Andrade
     Vinte Anos da Anistia
     Beco de Ouro Preto
     Dante de Oliveira, o pai das Diretas Já
     Ouro Preto - Abril de 1984, Diretas Já e Medalha do Inconfidente
     A Sangue Frio, Truman Capote (pequena análise)
     TV Globo exibe manifesto do PCC (testemunho)
     União Brasileira dos Escritores
     ........................
     LINKS INTERESSANTES
     Conto ''Angústia'', de Tchekhov
     Museu da Língua Portuguesa
     Texto Vivo - Narrativas da Vida Real (Jornalismo Literário)
     Projeto Releituras
     Blog do Noblat
     Blog da Soninha
     Fotolog Navios do Silvares
     Fotolog Santos Ontem
     Blog Propagandas Antigas
     Blog Propagandas Antigas 1
     Blog Propagandas Antigas 2
     Blog Propagandas Antigas 3
     Site do poeta Mário Quintana
     Violência contra a Mulher
     Amigos do Livro
     TV Livro (vídeos)
     Uol Vídeos
     Propaganda da All Day (linda!)
     Lisboa entre Cabos, blog do português Luís Miguel Correia - belíssimas fotos




    Blog da Lidia Maria de Melo
     


    Muito longe de casa - Memórias de um menino-soldado

    (A long way gone - Memoirs of a boysoldier)

                         Ishmael Beah

                                     

    Na infância, Ishmael Beah lia e declamava Shakespeare em sua aldeia, Mogbwemo, em Serra Leoa (África). Seus pais e e os mais velhos da família e da vizinhança também contavam muitas histórias. No início da adolescência, ele continuou apreciando as narrativas shakespeareanas e familiares, mas passou a gostar também de cantar e dançar ao som do rap, do hip-hop.  

    Quando a guerra civil destruiu sua aldeia, matou seus pais, irmãos, avós e amigos, desestruturou sua vida, transformando-o aos 12 anos em um menino solitário, que fugiu durante meses e se tornou soldado, a música, a dança, a literatura, as histórias não o abandonaram.

    Foi por meio da música e da dança que ele conseguiu algumas vezes salvar a própria pele, quando fugia no meio de pântanos, florestas e aldeias.

    Foi por se expressar bem e saber declamar Shakespeare que ele chamou a atenção do tenente a quem estava subordinado e foi escolhido para ser resgatado por uma organização não-governamental ligada ao Unicef.

    Foi por esse mesmo motivo que ele foi selecionado para falar sobre a violência contra as crianças em seu país em uma conferência realizada na ONU, em Nova Iorque, em 1996.

    Foi por ter ouvido histórias na infância e gostar delas que ele decidiu participar do workshop da contadora de histórias  e escritora Laura Simms, durante esse encontro em Nova Iorque, e continuou mantendo contato com ela, mesmo quando retornou a Serra Leoa.

    Por tudo isso, dois anos depois, aos 17 anos, quando a guerra civil atingiu a capital de Serra Leoa (Freetown) e Ishmael Beah se viu diante do risco de voltar à terrível vida de menino-soldado, que ele pôde pedir ajuda a Laura Simms e migrar para os Estados Unidos. Lá, ele foi morar na casa dela, voltou a estudar, fez curso universitário e escreveu o livro Muito Longe de Casa - Memórias de Um Menino-soldado, lançado este ano no Brasil, com direito a participação na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). A literatura continua ajudando Ishmael, hoje com 26 anos, a superar todas as desgraças que enfrentou e a seguir em frente com sua vida.

    Em situação de crise, aparentemente, a literatura se torna uma necessidade supérflua. Mas isso é só aparentemente.

    (Clique na foto, para assistir a uma entrevista de Ishmael Beah).                        

                                       

    A história de Ishmael representa a violência que milhares de crianças enfrentaram em Serra Leoa e é muito semelhante à de personagens do filme Diamantes de Sangue.

    No youtube, há um pequeno filme que destaca as belezas naturais de Serra Leoa, país que tenta, com a ajuda das Nações Unidas, manter-se em paz. Assista a Sierra Leone, a  True Picture .


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

     



    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h45
    [] [envie esta mensagem
    ] []





        FUP

     

    Acabei de ler o livro Fup, do escritor norte-amerciano Jim Dodge, editado pela José Olympio Editora, com tradução de Melanie Laterman e apresentação de Marçal Aquino. A obra foi escrita em 1983, mas a edição brasileira é de 2006.

    Trata-se de uma alegoria, uma fábula, com quatro personagens principais: Jake, um velho centenário e amante de uísque caseiro; Miúdo, seu neto de quase dois metros de altura, que adora construir cercas; a pata Fup, gulosa e gorda, que não consegue voar; e Cerra-Dentes, um porco do mato, que destrói as cercas de Miúdo e aterroriza o avô, o neto e a pata.

    É uma história divertida e sensível em que o autor tenta disfarçar sua doçura com muita ironia e deboche, para que seus personagens não sejam piegas nem melodramáticos. Mas Fup é mesmo uma doce e deliciosa história com o estilo do seu autor, Jim Dodge, que participou da Feira Literária Internacional de Paraty, no início deste mês. 

    Anotei um trecho do texto que, para mim, sintetiza toda a história: ''Algumas coisas não é possível explicar, talvez até a maioria das coisas. É interessante pensar nelas e fazer alguma especulação, mas o principal é que se tem que aceitar as coisas tal como são, e seguir em frente com aquilo que se entende'' (pág. 93 da edição brasileira).


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 15h59
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Ouro no Pan do Rio!

     

    Estão de parabéns todos os atletas que demonstram garra e vão atrás de seus objetivos, tornando concretos seus sonhos.

    Quero registrar aqui cumprimentos especiais à judoca Danielle Zangrando, que conquistou a medalha de ouro, depois de vencer por Koka a americana Valerie Gotay nesta tarde fria de sábado. Ótima judoca, o que não a impede de ser uma ótima aluna do curso de Jornalismo da Universidade Santa Cecília, em Santos. Santos e o Brasil estão orgulhosos!

    Acompanhe o quadro de medalhas, clicando no site do Pan



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 15h18
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Crônica sobre a tragédia em Congonhas

     

    O jornalista e escritor Celso Lungaretti, autor do livro Náufrago da Utopia - Vencer ou morrer na guerrilha. Aos 18 anos, envia um texto (Crônica de mais uma tragédia anunciada)  sobre o acidente do avião da TAM, ontem no Aeroporto de Congonhas, São Paulo.

    Os dois primeiros parágrafos expressam:

    ''Cada vez que acontece um acidente de grandes proporções como a explosão do Airbus da TAM, o volume de informações despejado sobre os cidadãos comuns é tamanho que a maioria deles não consegue situar-se nesse emaranhado de imagens, falas e textos com relevâncias e pertinências desiguais. 

    A espetacularização levada a cabo pela mídia vem ao encontro dos instintos mórbidos de seus públicos-alvos e lhes fornece catarse. As discussões no ar ou no papel são apenas parte do show, devendo saturar todos os espaços durante alguns dias e, tão-logo ocorra novo episódio momentoso, ceder lugar a outras, que igualmente não levarão a lugar nenhum. Os culpados não recebem a devida punição nem são tomadas providências à altura. A vida humana vale muito pouco no Brasil.''

    Leia o texto na íntegra no blog do autor.

    Veja também uma simulação do trajeto do avião da TAM, publicado no site da Folha de S. Paulo.   



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 16h05
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Bárbara Leôncio

    A carioca Bárbara Leôncio, de 15 anos, venceu no Campeonato Mundial de Menores (sub-17), domingo de manhã, na República Tcheca, a disputa dos 200 metros. Deixou para trás Chalonda Goodman, norte-americana, e Nivea Smith, de Bahamas, que ficaram com as medalhas de prata e bronze, respectivamente. Quando cruzou a linha de chegada, Bárbara não conteve as lágrimas. Chorou.

    Também me emocionei. No ano passado, eu a vi no Programa do Jô, junto com o professor aposentado e seu treinador Paulo Servo Costa. Bárbara é uma menina pobre que treina perto de casa, por causa do idealismo de um professor que, felizmente, não tem aquela visão tacanha e preconceituosa de que pobreza é sinônimo de incapacidade. A iniciativa de Paulo Servo é extremamente louvável e deveria servir de exemplo para nossos governantes. O Brasil precisa de projetos desse quilate, na área de Educação, de Saúde, de Esportes... Mas projetos para todo o País. Para isso, no entanto, será preciso que os cargos governamentais sejam ocupados por pessoas do mesmo naipe desse treinador, idealista, honesto, profissional, decente! O Brasil tem um povo talentoso e precisa de um Governo à sua altura. Medalha de ouro também para Paulo Servo Costa!


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h48
    [] [envie esta mensagem
    ] []





      Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa

    Para ler o comentário Regras para todos, sem exceção, que publiquei na edição de ontem (domingo, 15 de julho de 2007) do jornal A Tribuna, de Santos, a propósito da nova reforma ortográfica da Língua Portuguesa, clique aqui  ou veja abaixo. As mudanças deverão entrar em vigor em 2009. No final do comentário, no site de A Tribuna, há link para reportagem completa sobre o assunto.

                          Regras para todos, sem exceção

                                            LÍDIA MARIA DE MELO (*)

    Quando a reforma ortográfica de 1971 entrou em vigor em janeiro do ano seguinte, foi um deus-nos-acuda para desaprender o que já estava memorizado.
      
    Entre inúmeras outras alterações, palavras como ele, eles, flores, cor, cores, vezes, meses, estrela, por exemplo, perderam os acentos circunflexos diferenciais. A justificativa era que o contexto determinaria a pronúncia aberta ou fechada da vogal e os sentidos dos vocábulos.
      
    Aurélio Buarque de Holanda Ferreira discordou. Em seu dicionário, manteve o circunflexo no verbete fôrma, sob o argumento de que o contexto literário não seria suficiente para diferenciá-lo de forma.
      
    Para comprovar sua tese, citou trecho de um poema de Manuel Bandeira (‘‘Vai por cinqüenta anos/ Que lhes dei a norma:/ Reduzi sem danos/ A fôrmas a forma’’) e outro de Martins Fontes (‘‘Pela penugem, primeiro/ E, depois, segundo a norma,/ Pelo gosto, pelo cheiro,/ Pela fôrma, ou pela forma,/ Certas frutas européias,/ Como pêssego — oh! prazer —/ Por vezes nos dão idéias/ Que me acanho de dizer’’).
      
    Sem o circunflexo em fôrma, os poemas ficariam mesmo deturpados. Ainda assim, oficialmente prevaleceu o que a Lei 5.765, de 18 de dezembro de 1971, determinou. E mestre Aurélio tornou-se um transgressor.
      
    Já a futura reforma suscita outras reflexões. As regras de acentuação, com ou sem mudança, continuarão regendo indistintamente nomes próprios e comuns. Para a norma atual que manda acentuar todas as paroxítonas terminadas em ditongos e em L, N, R e X, além das proparoxítonas, não está prevista alteração.
      
    Será permitido, por exemplo, que se escreva António (com acento agudo, na grafia e pronúncia de Portugal) ou Antônio (com circunflexo, à maneira do Brasil), mas Antonio (sem acento), não.
      
    Diante disso, qual é — ou será — a justificativa para que cartórios de registro civil e outros órgãos emissores de documentos pessoais insistam no erro de grafar sem acento uma série de nomes? A lista é extensa e inclui: Cármen, César, Válter, Sílvia, Sérgio, Sônia, Cláudia, Lígia, Márcia, Éder, Glória, Fátima, Débora, Ângela, Nícolas, Hércules e o próprio Antônio, entre tantos outros.
      
    Se a lei não for cumprida, quem terá direito de impedir que um pai registre um filho com nome esdrúxulo?
      
    As regras de um idioma prevêem muitas exceções, mas o cumprimento delas é exigido de todos.

     

    (*) A JORNALISTA LÍDIA MARIA DE MELO É EDITORA DE LOCAL DE A TRIBUNA, ALÉM DE LICENCIADA EM LETRAS (COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA) E MESTRE EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO PELA USP.


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h42
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Autoria

    Ainda pegando carona no debate proposto pelo escritor mexicano Guillermo Arriaga sobre autoria de obras e idéias (leia no post anterior, abaixo), preciso expressar minha admiração pela atitude digna e respeitosa de Rita Lee diante da obra de uma outra pessoa, no caso Arnaldo Jabor.

    Segundo o próprio Jabor relatou no programa Altas Horas, do Serginho Groismann, de 16 de setembro de 2006, a roqueira ligou para ele e pediu licença para compor uma música em cima das idéias dele expostas na crônica Amor vem antes e sexo vem depois, ou não, que ele publicara em jornais.

    Rita, que também estava no Altas Horas, junto com o marido, Roberto de Carvalho, e o filho Beto Lee confirmou que ficou em êxtase ao ler o texto do ex-cineasta.  Conclusão: ela e o marido compuseram letra e música de Amor e Sexo, baseados na crônica de Jabor, mas tudo com o consentimento dele. Depois, assinaram a autoria tripla. Ou seja, quem pegar o CD dela vai ler os nomes Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor como os autores da música.

    Rita Lee agiu da maneira correta. Da maneira como todo mundo deveria proceder em relação às idéias, aos trabalhos alheios. Não é à toa que Rita Lee é Rita Lee.

    (Leia a crônica, ouça a música, veja a letra e assista ao vídeo, clicando nos links azuis acima).



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h41
    [] [envie esta mensagem
    ] []





            Arriaga e o debate sobre autoria na Flip

     

    (Escritor Guillermo Arriaga, durante a Flip 2007_ Foto de Luciana Gutiérrez/Lu Fernandes Escritório de Comunicação)

    A Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) terminou. Entre tantos temas debatidos nas mesas-redondas com estrelas da literatura brasileira e de outros países, um me chamou bastante a atenção: a questão da autoria no cinema, levantada pelo escritor e roteirista mexicano Guillermo Arriaga. 

    Além de escritor, Arriaga é autor dos roteiros de filmes conhecidos e aclamados, como Amores Brutos (2000), 21 Gramas (2003), Babel (2006), dirigidos pelo também mexicano Alejandro Iñarritu, e Três Enterros de Melquíades Estrada, dirigido por Tommy Lee Jones.  

    No início do ano, Arriaga rompeu com o conterrâneo, sob o argumento de que Iñarritu estava colhendo os louros de idéias que, na verdade, são dele. Pouco antes do início da Flip, Arriaga propôs um debate sobre o tema, porque acredita que é necessário mudar essa regra de que o autor do filme é o diretor. ''É preciso valorizar o trabalho de quem tem a idéia, de quem desenvolve o texto e os diálogos´´, disse, acrescentando que não trabalha em cima de idéias alheias quando escreve os roteiros, nem faz pesquisas. Para ele, o roteiro não é apenas um gênero literário, é um trabalho autoral.

    Concordo com a proposta de Arriaga, não somente em termos de cinema. Idéia tem dono. De um modo geral, as pessoas acham que podem se apossar das idéias alheias sem qualquer problema. Quem lida com a escrita sabe o quanto isso é danoso e difícil de debater e combater.

     



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h51
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Revista Espaço Acadêmico

    http://www.espacoacademico.com.br/

    Classificação:

    Antônio Ozaí da Silva envia link para mais uma edição, a de nº 74, ANO VII, da REA (Revista Espaço Acadêmico), que publica artigos de diversas áreas (política, literatura etc etc etc). Vale a pena acessar neste feriado preguiçoso. Os autores dos artigos são gabaritados. Entre os destaques, está Cem anos de solidão e o massacre de Aracataca, de Karen García Delamuta, Priscila Engel e Silvia Beatriz Adoue.



    Categoria: Link
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 16h35
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    Um poema de Ferreira Gullar

    Faz tempo que não tenho tido tempo de escrever aqui. Ainda bem que existem poetas de sobra e gabarito que podem me socorrer. Hoje é a vez de Ferreira Gullar me dar, involuntariamente, uma mãozinha.

    Transcrevo abaixo o seu poema Não-coisa


    O que o poeta quer dizer
    no discurso não cabe
    e se o diz é pra saber
    o que ainda não sabe.

    Uma fruta uma flor
    um odor que relume...
    Como dizer o sabor,
    seu clarão seu perfume?

    Como enfim traduzir
    na lógica do ouvido
    o que na coisa é coisa
    e que não tem sentido?

    A linguagem dispõe
    de conceitos, de nomes
    mas o gosto da fruta
    só o sabes se a comes

    só o sabes no corpo
    o sabor que assimilas
    e que na boca é festa
    de saliva e papilas

    invadindo-te inteiro
    tal do mar o marulho
    e que a fala submerge
    e reduz a um barulho,

    um tumulto de vozes
    de gozos, de espasmos,
    vertiginoso e pleno
    como são os orgasmos

    No entanto, o poeta
    desafia o impossível
    e tenta no poema
    dizer o indizível:

    subverte a sintaxe
    implode a fala, ousa
    incutir na linguagem
    densidade de coisa

    sem permitir, porém,
    que perca a transparência
    já que a coisa ë fechada
    à humana consciência.

    O que o poeta faz
    mais do que mencioná-la
    é torná-la aparência
    pura — e iluminá-la.

    Toda coisa tem peso:
    uma noite em seu centro.
    O poema é uma coisa
    que não tem nada dentro,

    a não ser o ressoar
    de uma imprecisa voz
    que não quer se apagar
    — essa voz somos nós.



    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h17
    [] [envie esta mensagem
    ] []



     
      [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]