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BRASIL, Mulher, Música, Livros, Filmes, Jornalista, Professora, Escritora. E-mail: limarmello@bol.com.br



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     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', catálogo da Fundação Biblioteca Nacional
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
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    Blog da Lidia Maria de Melo
     


    Imagens e lembranças de viagem: Santa Catarina, Paraná e Santos

     

    Estou de férias, mas chega de preguiça. Aqui vão algumas fotos que fiz neste mês em viagem por Santa Catarina e Paraná e aqui mesmo em Santos.

    Praia das Laranjeiras, em Balneário Camboriú, Santa Catarina  _  Cliquei essa foto no dia 20 de janeiro, de um mirante no alto do Morro da Aguada, no Parque Unipraias, um paraíso ecológico a 240 metros de altura, com 60 mil metros quadrados de Mata Atlântica. Chega-se lá, partindo da Praia de Laranjeiras (muito linda por sinal!) por um bondinho parecido com o do Rio de Janeiro, só que menor e com seis assentos.  Depois de subir pela estação Barra Sul, o visitante pode descer  na estação intermediária, no alto do morro (onde fica o parque ecológico). Depois de fotografar, caminhar, subir, descer, sentir o cheiro de mato, observar animais nativos, fotografar a belíssima paisagem (oceano imenso, mata, Balneário Camboriú), experimentar chocolate, licor, vinho (em taça de chocolate), comprar suvenir (se desejar), pega-se de novo o bondinho e se desce o morro, desembarcando na estação na Praia de Navegantes. Nesse local, fica também a estação de onde partem as escunas piratas para a Praia de Laranjeiras (abaixo).

     

    Jardim Botânico Fanchette Rischbieter, Curitiba, Paraná - No dia 21 de janeiro, bati essa e inúmeras outras fotos nesse lugar maravilhoso, inaugurado em 5 de outubro de 1991 e que homenageia a engenheira Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, que morreu aos 60 anos em 1989 e foi uma das pioneiras no planejamento urbano de Curitiba.

    Ópera de Arame, Curitiba, Paraná _  Também no dia 21 conheci esse outro cartão-postal curitibano, inaugurado em 1992. Fica no Parque das Pedreiras, perto do Espaço Cultural Paulo Leminski. Integrado à natureza, o projeto é do arquiteto Domingos Bongestabs e foi desenvolvido em estrutura tubular e teto de policarbonato transparente. O lugar é destinado a apresentações artísticas e culturais, com capacidade para 2.400 espectadores e um palco de 400 metros quadrados.(Veja abaixo). 

    Olha eu lá, em um auto-retrato, diante do palco (Estava frio!!! Por isso, a jaqueta jeans). Uma curiosidade: não dá para andar de sapato de salto fino e nem de saia ou vestido curto na Ópera de Arame. Os espaços prendem o salto e quem está no andar de baixo pode ver tudo embaixo das saias de quem está no andar de cima.  

    Beto Carrero World, Penha, Santa Catarina _ Não fui eu quem bateu a foto, mas estou nela, dentro do caldeirão da bruxa! O parque do Beto Carrero é simplesmente o máximo! O cowboy brasileiro teve uma idéia digna de Professor Pardal e Tio Patinhas. Fantástico! Tudo muito organizado, divertido, limpo e com preocupação ecológica. Um dia é pouco para ver e conhecer tudo. Estive lá no dia 19 de janeiro.

    Prefeitura de Blumenau, Santa Catarina - No dia 18 de janeiro, conheci a terra da Oktoberfest, a popular festa da cerveja realizada em outubro. Lá também é a terra de Vera Fisher. Enquanto Santos tem os museus do Café, de Pesca, do Mar etc, eles têm o da Cerveja, com muito orgulho.

    Praia Central de Balneário Camboriú _ Não se deve confundir Balneário Camboriú com Camboriú. São dois municípios distintos, embora vizinhos. A orla do Balneário lembra Santos, mas não existe o nosso jardim. Outra coisa que não deixa dúvidas de que não é Santos: há muito argentino (muito, muito mesmo) e é hábito o pessoal sentar nos bancos do calçadão, tomando chimarrão. Ao lado, a inseparável garrafa térmica, com água quente. Os comerciantes, ambulantes, funcionários de hotéis, todos são bilíngües (português e espanhol). Ah, os motoristas de lá também param seus veículos quando um pedestre pisa no asfalto, independentemente de faixa de segurança ou outro sinal. O mesmo ocorre em Gramado  (RS) e outros municípios da Serra Gaúcha. Parece que a gente está na Europa. Se alguém não faz isso é porque não é da terra. Não tem nada: um dia a gente também chega lá.

    Palmeiras imperiais em Joinville (Santa Catarina) _ em praça frente ao Museu Nacional de Imigração e Colonização. Pena que fui até lá no dia 21, uma segunda-feira, e estava fechado. Pode parecer bairrismo, mas impossível não lembrar das palmeiras imperiais da nossa Avenida Ana Costa, em Santos.

     

    Santos _ Todos esses lugares que visitei são realmente muito belos, muito bonitos, muito agradáveis e inesquecíveis. Mas eles me ajudaram a confirmar o quanto Santos também é bonita e vale a pena ser visitada, conhecida, divulgada e preservada.  Veja as duas fotos abaixo:

    Essas duas fotos acima foram feitas, no mesmo lugar, em Santos, no dia 27 de janeiro, e comprovam o que disse. Na primeira, estou eu com o marzão ao fundo. Na outra, o navio MSC Ópera alcança a barra, em direção ao mar aberto, depois de deixar o Porto. Não dá para ouvir, é claro, mas os passageiros gritavam e acenavam, clicando muitas fotos. Quem nunca viu isso merece ver. Mesmo quando o dia está nublado. O céu se juntando ao oceano no horizonte nos leva sempre ao infinito.


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h22
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    Estou voltando

     

    Saí de férias, por isso ando um pouco ausente. Espero poder publicar nesta semana umas fotos e uns vídeos do Balneário Camboriú (SC) e adjacências, mas também de Santos, que não fica atrás. Da cobertura de meu prédio, filmei a saída de navios do porto e da Baía de Santos (É apaixonante e um privilégio testemunhar). Curitiba também merecerá espaço. Tem lugares muito lindos, como a Ópera de Arame e o Jardim Botânico. Aguardem!  



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h56
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    Licenças poéticas e musicais e a língua portuguesa

     

     

    Poetas têm licenças. Ainda bem, senão muita obra de arte poderia ser prejudicada por imposições de regras. Mas existem os senões dessas licenças poéticas, que já foram consagrados pelo uso, mas não, pela regra formal. Alguns exemplos podem ser observados na história da música popular brasileira e da língua portuguesa falada no Brasil:

    1. Depois que Adelino Moreira compôs, em 1956, ''A Volta do Boêmio'', que estourou na voz de Nelson Gonçalves, a palavra ''boêmia'' se transformou definitivamente em ''boemia''. Para manter o compasso musical, Adelino interferiu na sílaba tônica, que mudou do ''ê'' para o ''mi''. Isso se tornou uso comum, sempre que a palavra é utilizada como substantivo.  Ex.: ''Fulano gosta da boemia'' ou ''Beltrano vive na boemia''. Nesses casos, a palavra é pronunciada sem o acento circunflexo. Mas, se o vocábulo for utilizado como adjetivo, a situação se altera, o acento permanece. Ex.: ''Fulano gosta de uma vida boêmia'' ou ''Beltrano vive em embalos boêmios''. A única maneira em que o substantivo mantém o acento circunflexo na pronúncia atual é na denominação da cerveja Boêmia, que na verdade é escrita com ''h'' e sem acento: Bohemia.

    2. Quando o compositor e cantor Hyldon lançou, em 1975, a música ''Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda'', também mudou a pronúncia da palavra ''sapé'', que é aquela palha usada para cobertura de casas, quiosques etc. Se não alterou totalmente, deixou todo mundo em dúvida sobre a forma correta de se acentuar a palavra. Hoje é muito, muito comum as pessoas falarem e escreverem ''sapê'', ou pelo menos titubearem na hora de pronunciar esse vocábulo. Mas fica registrado: o correto é ''sapé'' (com acento agudo). O Hyldon, que também é autor de ''As Dores do Mundo'' e de ''Na Sombra de Uma Árvore'', empregou o acento circunflexo (''sapê'') para poder rimar com ''você'': _''Jogue suas mãos para o céu/ e agradeça se acaso tiver/ alguém que você gostaria que/ estivesse sempre com você/ na rua, na chuva, na fazenda/ ou numa casinha de sapê''. Cometeu uma licença poética e bagunçou o português, assim como Adelino Moreira.

    3. Em 1971, o compositor e cantor João Só lançou ''Menina da Ladeira'' e, também para garantir a rima e a métrica, tascou um ''debaixo do pé da laranjeira''. Ora, todo mundo sabe que o pé é de laranja. Ou você fica embaixo da laranjeira ou embaixo do pé de laranja. Nunca embaixo do pé da laranjeira.  Ainda bem que essa não caiu na boca do povo.

    Deve haver outras interferências no português provenientes de tiradas musicais. Mas agora não me lembro. Se observar outras, comentarei depois. 

    Mas vale ressaltar: tudo isso confirma o que já se sabe, a língua é um sistema dinâmico, que está em permanente evolução.  


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h10
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    Narciso de Andrade

     

    A primeira vez que conversei com o poeta santista Narciso de Andrade foi em 1995 na Redação de A Tribuna. Ele, que escrevia crônicas para o jornal, foi até lá para me conhecer. Havia lido meu livro, ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', recém-lançado em 22 de novembro daquele ano. Dias depois, em dia 8 de dezembro, uma sexta-feira, publicou uma crônica para mim. Intitulada ''A Dolorosa Tatuagem'', a crônica saiu na página 6 do caderno AT Especial. Para mim, foi um verdadeiro carinho. Sua alma de poeta conseguiu ''sentir'', no meu livro, detalhes e nuances que ninguém nunca demonstrou ter percebido.

    No dia 29 de março de 1996, participei do projeto O Autor e sua Obra, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Santos, na Biblioteca Mário Faria, localizada no Posto 6, na orla da praia. Meu pai, Iradil Santos Mello, e minha mãe, Mercedes Gomes de Sá, estavam lá. Para minha surpresa, Narciso de Andrade também compareceu. Mais uma vez, senti-me honrada pelo apoio do poeta e advogado.

    (Fotos feitas pelo repórter-fotográfico Irandy Ribas, na época, meu marido)

    Meu pai e eu, palestrando. Exemplares de meu livro sobre a mesa   

    Na platéia, à esquerda, Narciso de Andrade (de braços cruzados). Pouco à frente dele, com uma bolsa preta transpassada, minha mãe, Mercedes Gomes de Sá, que na verdade deveria estar também palestrando sobre a história que vivemos. Ela foi o sustentáculo para que toda a família pudesse seguir em frente.                

    A última vez que vi Narciso de Andrade faz mais ou menos dois anos. Passava, com o filho, em frente a A Tribuna. Conversamos rapidamente, mas ele já parecia frágil fisicamente. No último sábado, 29 de dezembro de 2007, Narciso morreu. Como estou de férias, só fiquei sabendo na noite de domingo, dia 30, quando liguei o computador. Ele já havia sido sepultado. Tenho certeza de que ele agora deve estar andando na beira do mar, chutando as ondas, calmamente, ou perambulando pelo cais do porto, na companhia de ninguém mais do que Roldão Mendes Rosa, outro poeta que amou Santos como o amigo Narciso e foi meu professor. Bem-aventurados os homens inteligentes, mas, antes de tudo, sensíveis.

    Aqui transcrevo a crônica que Narciso escreveu para mim e meu livro:  

    A Dolorosa Tatuagem

                        ( Narciso de Andrade)

     

    (reprodução do jornal A Tribuna)

    Este livro queima as mãos da gente. Entretanto, iniciada a leitura, não se pode mais parar. Um certo espaço da vida santista começa a acontecer sob o impacto da sedimentação dos anos transcorridos. A argamassa do tempo não conseguiu soterrar na memória daquela menina os destroços de sofrimento, dor, desencanto  que ela não fez por merecer. Pois, como já se disse, era menina. E, como menina, outra vida deveria destinar-se à sua infância. Como a qualquer infância.

    O crime maior dos atos desatinados do Poder exercido com brutalidade é justamente o mal causado aos jovens; sobretudo, às crianças, que não podem mais do que receber o impacto da crueldade sem qualquer possibilidade de reação e sem entender bem o que está ocorrendo. É uma pena tenham as coisas acontecido do modo narrado no livro. Mas aconteceram. Não há por que escondermos fatos agora que os tempos, felizmente, são outros.

    Lídia Maria de Melo tinha seis anos quando foi visitar seu pai recolhido ao navio Raul Soares, ancorado próximo à Ilha Barnabé, preso ao seu triste destino final de cárcere político. Navio é uma coisa bela, seu verdadeiro destino são as distâncias , o mar largo, os ventos, o azul.

    (*) ''Uma lancha apanhou-nos no porto, em frente à  Alfândega.

    ''... Desembarcamos perto da Ilha Barnabé, em um flutuante que balançava muito, amarrado ao navio preto, adernado, o Raul Soares.

    ''... Não houve outras visitas, porque eram proibidas.

    ''... Na volta, conforme a lancha foi se afastando em direção ao cais, as mãos que acenavam nas vigias foram ficando menores, menores... até que sumiram. Só restou a imagem incômoda daquele navio negro, que permaneceu tatuado em nós, como os números nos braços dos sobreviventes dos campos nazistas de concentração''.(*)

    A verdade dói, muitas vezes, mas é a verdade. ''La verdad es lo que es/ y sigue siendo verdad/ aunque se piense al revés'' (Antonio Machado).

    O livro ora vindo a público, em edição da Pioneira e da Uniceb (Universidade Santa Cecília) _ Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós _ nasceu em 1985, como trabalho de conclusão do Curso de Jornalismo de Lídia Maria de Melo, sob o título de Para Não Ser Pego de Surpresa, e teve como orientador o jornalista e professor Eron Brum.

    Narra a saga de Iradil Santos Mello, perseguido e preso pelo ''crime'' de ser dirigente sindical em 1964 e as repercussões desse fato em sua família. Seria mais uma das muitas histórias semelhantes ocorridas na ocasião, se aquela menina, Lídia, não tivesse transformado o medo, a dor, o sofrimento próprio e dos seus em matéria emblemática de uma época, sob muitos aspectos, inexplicável, dadas as características da gente brasileira.

    A emoção perpassa o livro a cada capítulo que a autora, jornalista e professora, soube fazer densos e diretos de acordo com a melhor e mais moderna técnica do gênero. Trata-se de um livro de memórias, é claro, mas transcende ao comum pois não se furta a traçar um quadro geral da situação no País à época.

    Faltava em Santos um livro como esse que vem compor com outros (Ventos do Mar, Sombras sobre Santos) um quadro de certos aspectos pouco lembrados de nossa história. É claro que no espaço de uma crônica não dá para dizer muita coisa sobre uma obra desta natureza, mas vale transmitir à autora mensagem de carinho, admiração e simpatia. Pela verdade e pela coragem encobertas no jeitinho discreto de ser. De ser Lídia.

    (*  O trecho em negrito foi transcrito de meu livro por Narciso)


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h44
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    Como atravessei a fronteira de 2007 para 2008

     

    Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.

    A festa de Réveillon foi na casa de minha prima Sônia. Família reunida, mesa grande e farta, cantamos (karaokê) a noite toda, a exemplo do que ocorreu no Natal.

     

    No vídeo abaixo, estou cantando com minha prima e filmando ao mesmo tempo. Por isso, o enquadramento saiu reduzido e a iluminação, péssima. Ficamos escuras. Não tem importância. É até melhor. Ninguém vê direito a nossa cara. A intenção é só mostrar como faz bem cantar, mesmo que desafinado, mesmo fora do tom, mesmo sem voz... O bom é descontrair.

     

    Apesar da música, não bebo cerveja. Como estava dirigindo, não ingeri nada alcoólico, a não ser dois dedos de champanhe, só para brindar a chegada do novo ano.

     

    Clique na imagem para assistir.

     



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h29
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