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BRASIL, Mulher, Música, Livros, Filmes, Jornalista, Professora, Escritora. E-mail: limarmello@bol.com.br



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     Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós, reportagem sobre meu livro (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     A Tortura no Porto de Santos (artigo de Alessandro Atanes, que cita trecho de meu livro Raul Soares)
     Minha reportagem: Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', catálogo da Fundação Biblioteca Nacional
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
      Raul Soares - pronunciamento na Assembléia Legislativa em 2003
     Reportagem de Laire J Giraud que menciona meu nome e de meu pai
     Artigo sobre o golpe de 1964 (Laire José Giraud)
     Minha reportagem: Zuleika Alambert, a primeira deputada santista (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (A Tribuna)
     Minha reportagem: Atenta ao mundo, cronista Nair Lacerda faz 90 anos (A Tribuna -18.7.1993, reprodução no site de Santo André)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (site da Associação dos Magistrados Brasileiros, reprodução de A Tribuna)
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    Blog da Lídia Maria de Melo
     


    As abomináveis ditaduras

     

     

    Tenho certa dificuldade com a teoria desprovida da prática, da experiência. Quando rejeito uma ditadura, seja ela de direita ou de esquerda, parto do ensinamento que a vida me deu e me dá.

    Vivi dos 6 aos 28 anos dentro da ditadura militar que se impôs no Brasil. E ela não passou ao largo. Chutou a porta da casa da minha família e se instalou. Meu pai foi um preso político, mas não foi somente ele que as medidas de exceção atingiram. Foi toda a família (meu pai, minha mãe, eu e minhas irmãs). Se a ele impuseram um silêncio, nós também fomos impedidas de expressar livremente nosso pensamento. Nós também ficamos amordaçadas. Se ele era vigiado, nós também fomos cerceadas. Se ele foi processado injustamente várias vezes, nós também fomos punidas. E isso não é força de expressão. É realidade!

    Mesmo depois de 1985, quando teoricamente a ditadura foi extinta, seus rastros continuaram marcando o tapete da sala, do quarto, de todos os cômodos da casa.

    Comecei a ser alfabetizada exatamente em 1964, quando os tanques do Exército rumaram de Minas Gerais em direção ao estado onde se situava a Cidade Vermelha. Em outras palavras, Santos. Vermelha, porque aqui estavam os sindicatos considerados mais fortes do País, acusados de receber subvenção soviética, e a intelectualidade que se alimentava das idéias de Fidel e procedentes de Moscou. 

    Cresci ouvindo meu pai, um desses sindicalistas de Santos, falar com admiração de Fidel Castro, da União Soviética, e encarar como inimigos a política e os costumes ditados pelos Estados Unidos. Meu pai nunca disse que era comunista ou socialista, mas tudo levava a crer que pelo menos era simpatizante.

    O mundo vivia essa dicotomia: URSS versus EUA.

    Cuba era a própria Utopia, ilha imaginada pelo inglês Thomas Morus, para criticar acidamente o regime feudal que vigorava na Inglaterra do século XVI e que acabou condenando-o à morte por decapitação.

    Por anos, mantive pelo regime cubano, pela figura de Fidel, a mesma simpatia que herdei de meu pai.

    Só que a gente cresce e começa a pensar pela própria cabeça, a analisar e a fazer correlações. Assim como meu pai e toda a minha família, participei dos movimentos sociais contra a ditadura em vigor no Brasil. Aprendi a não aceitar as imposições, a censura, a tortura, a redução dos direitos civis. Até hoje, quem quiser angariar a minha antipatia e se tornar meu inimigo é só me mandar calar a boca, é só me impedir de expressar meu pensamento. Considero isso uma clara conseqüência do que a ditadura fez com minha família e com este País.

    Uma forma que encontrei de vomitar todo esse peso foi escrever. Daí, surgiu o livro ‘‘Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós’’. Ele inclusive me ajudou a superar uma doença, desenvolvida a partir dos traumas emocionais e que a medicina considera incurável. Depois da publicação desse livro, nunca mais precisei de remédio e a doença sumiu, contrariando as previsões médicas.

    Se a imposição do silêncio e o cerceamento da liberdade me fizeram tão mal, e um meio de expressão, como um livro, me ajudou a superar esse mal, como posso concordar com um regime que não permite que as pessoas discordem dele? Seria uma conivência com o que a ditadura militar fez a minha família, a este País. Eu seria a personificação da incoerência.

    A democracia é imperfeita, assim como o ser humano. Mas quem disse que ditadura é perfeita? Só quem não viveu de perto uma e não sofreu as suas conseqüências é que pode dizer um absurdo desses.

    No filme Dr. Jivago, há uma cena em que o médico foge para o campo, depois de ter sua casa na cidade desapropriada pelos bolcheviques durante a revolução de 1917. Mas, um dia, os bolcheviques chegam à sua propriedade rural e Jivago está escrevendo um poema lírico. Ele acaba preso, porque o poema é considerado uma ameaça aos ideais da revolução. Foi uma das cenas que mais me tocaram.

    Quando o golpe militar se instalou no Brasil e meu pai foi preso, minha mãe e amigos da família enterraram livros dele, para que ele não fosse incriminado ainda mais.

    Essas situações não me foram contadas. Eu acompanhei de perto, assim como inúmeras outras. E tinha 6 anos de idade. E sabia de tudo o que acontecia. Ninguém consegue esconder de uma criança que seu pai está preso, principalmente quando ela vai até a prisão para vê-lo. Não é difícil para uma criança entender o que é preso político, já que seu pai não é ladrão, nem assassino e vive expressando seu pensamento sobre a situação política do sindicato, da cidade, do país, de outros países.

    Quando se cresce num ambiente em que se respira política, aprende-se no cotidiano. Não é preciso ficar adulto para começar a entender.

    Muita gente no Brasil teve a vida destruída por causa de seus ideais socialistas. Muita gente morreu. Em Cuba, muita gente também foi, e é, perseguida por ser contrária ao regime de Fidel. Muita gente também morreu. Qual é a diferença?

    Fidel Castro foi um líder, mas se transformou em um ditador. Do contrário, teria permitido que o povo escolhesse seu próprio rumo. Por que uma tutela eterna?

    Bem cantam os Titãs: ‘‘A gente não quer só comida’’.

    Melhor ainda é a síntese de Ernesto Sábato, que cito como epígrafe em meu livro: ‘‘Não há ditaduras más e outras benéficas, todas são igualmente abomináveis’’.

     


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h53
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    Barack Obama: Yes, We Can

     

    Entrou no Youtube, no último dia 3, e ‘‘bombou’’.

    É um vídeo de campanha do senador democrata Barack Obama, que disputa uma das vagas de candidato  a presidente dos Estados Unidos com a senadora  Hillary Clinton, também democrata.

    Dirigido por Jessé Dylan, filho de Bob Dylan, o vídeo foi idealizado por will.i.am, integrante do grupo de rap norte-americano Black Eyed Peãs e autor da música. O pianista é Herbie Hancock, tido como um dos monstros sagrados do jazz.

    Will.i.am musicou um discurso de Barack Obama feito nas eleições primárias de New Hampshire, em janeiro, que inclui o bordão ‘‘Yes, we can’’ (Sim, nós podemos).

    Entre muita gente que aparece cantando, além do próprio Obama, está a atriz Scarlett Johansson, protagonista dos filmes ‘‘ O Encantador de Cavalos’’, de Robert Redford,  ‘‘Encontros e Desencontros’’, de Sophia Coppola, e ‘‘Ponto Final’’, de Woody Allen.

    Peguei essa dica no Blog do Noblat .



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h29
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    Categoria: Quem é Lídia Maria de Melo
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h07
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    Hélio Schiavon, o Velho-lobo-do-mar

     

     

    Na Redação, Hélio, fotografado de surpresa e filmado em seu computador.

     

    Nós deveríamos nos acostumar, mas não conseguimos. A morte sempre é muito triste.

    Ontem, 8 de fevereiro de 2008, perdemos Hélio Schiavon, carinhosamente chamado de O Velho-lobo-do-mar pelos colegas de jornalismo. Estava com 66 anos de vida e mais de 35 de profissão. 

    Ele se despediu da vida no dia em que completava exatamente dois meses de uma confraternização numa barraca de praia. Naquele dia (8 de dezembro de 2007), não fotografei e nem filmei o encontro, porque tinha deixado minha máquina na Redação do jornal.

    Mas três dias antes, 5 de dezembro, fiz fotos e filmes durante uma festinha, também na Redação, promovida pelos aniversariantes de novembro e de dezembro.

    Enquanto a maioria participava da comemoração, Hélio se dedicava ao fechamento de seu caderno, o Jornal Motor, publicado semanalmente em A Tribuna. Mesmo assim, consegui filmá-lo de relance, trabalhando em seu computador, e fotografá-lo de surpresa, num instante em que se aproximou da porta da sala em que ocorria a confraternização. Chamei-o: ''Hélio!'' Quando ele se virou, cliquei, sem saber que seria a última vez.

    Na confraternização na barraca de praia, conversamos durante um bom tempo e posamos para fotos. Jamais poderia imaginar que aquela tarde era de despedida. No dia seguinte, ele sofreu um AVC e foi internado inconsciente.

    Ontem, com tristeza, recebemos a notícia de sua morte. Fizemos o que era possível: uma matéria no jornal e comparecemos ao velório, solidarizando-nos com a família e reforçando que ele era uma pessoa que se destacava por sua gentileza e meiguice, além do bom humor e o timbre agudo e único de voz.

    Não houve sepultamento. O Velho-lobo-do-mar foi cremado, confirmando as palavras de Deus a Adão, segundo Gênesis 3:19: ''No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás''. 

    É estranho imaginar e até aceitar. A gente nunca se acostuma, mas é inevitável.

    Foram 19 anos e meio convivendo no trabalho com Hélio Schiavon. Entre tantas lembranças, vale destacar uma. Em agosto de 1992, sabendo que eu mantinha ainda inédito um livro em que contava sobre a prisão de meu pai, Iradil Santos Mello, no navio Raul Soares, que foi presídio político no Porto de Santos em 1964, ele me convidou para contar essa história no caderno Porto&Mar, do qual na época era editor interino. O material seria editado junto com uma matéria dele com o radiotelegrafista Nélson Maurício, que trabalhou no navio em tempos anteriores à ditadura militar.

    Aceitei o convite e fiz uma síntese do livro. A reportagem foi publicada no dia 3 de setembro de 1992. Ocupou toda a capa do caderno Porto&Mar e continuou na página 8. Nessa última página, saiu também a matéria dele sobre o ex-tripulante do Raul Soares. Utilizei uma foto de meu pai feita pelo repórter-fotográfico Luigi Bongiovanni e reproduções do navio e de meu pai no convés em 1964, além da capa do livro do jornalista Nelson Gatto, que foi destruído pelos militares (veja as fotos abaixo).

    Até então, meu livro era intitulado ''Para Não Ser Pego de Surpresa'', conforme fora apresentado em forma de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jornalismo da Universidade Católica de Santos em novembro de 1985. Para a matéria, escolhi o título ''Raul Soares, Um Navo Tatuado em Nós''. A partir daí, esse passou a ser o nome do livro, que foi lançado em 22 de novembro de 1995 pela editora Pioneira (atual Thomson Pioneira) junto com a Editora da Uniceb (atual Unisanta).  

    Esse foi um momento muito importante tanto para minha vida profissional e pessoal quanto para minha família.

    Jamais me esquecerei disso e serei sempre grata ao Hélio Schiavon, O Velho-lobo-do-mar.


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    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 21h11
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    Beto Carrero

     

     

    Como informei no post anterior, visitei o Beto Carrero World no último dia 19 de janeiro. Lá, vivi dez horas de encantamento. Hoje, acordei com a notícia da morte do cowboy brasileiro que ousou tornar real um sonho e levar diversão e empregos para Santa Catarina, além de permitir que milhares e milhares de pessoas do Brasil e de vários outros países compartilhassem de seu mundo de fantasias.

    Um detalhe que me chamou a atenção no parque fundado em 1991 foi a limpeza e a preocupação com o meio ambiente. Até o lixo é recolhido de forma seletiva.

    Tomara que alguém saiba dar continuidade àquele empreendimento que muito orgulha a cidade de Penha e todo o estado de Santa Catarina, para que as pessoas possam continuar se divertindo e que os postos de trabalho sejam mantidos.

    Não sei por que a cidade de Santos não permitiu que Beto Carrero instalasse um parque aqui também, como era seu desejo. Que pena!

     

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    Veja também as fotos no post abaixo.


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

     



    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 16h22
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