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     Áudio de entrevista sobre o Golpe Militar de 1964, após palestra minha no Sesc em maio de 2004
     Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós, reportagem sobre meu livro (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     A Tortura no Porto de Santos (artigo de Alessandro Atanes, que cita trecho de meu livro Raul Soares)
     Minha reportagem: Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', catálogo da Fundação Biblioteca Nacional
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
      Raul Soares - pronunciamento na Assembléia Legislativa em 2003
     Reportagem de Laire J Giraud que menciona meu nome e de meu pai
     Artigo sobre o golpe de 1964 (Laire José Giraud)
     Minha reportagem: Zuleika Alambert, a primeira deputada santista (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (A Tribuna)
     Minha reportagem: Atenta ao mundo, cronista Nair Lacerda faz 90 anos (A Tribuna -18.7.1993, reprodução no site de Santo André)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (site da Associação dos Magistrados Brasileiros, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: entrevista sobre Educação e Violência, publicada em 26 de junho de 2006 (A Tribuna)
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    Blog da Lidia Maria de Melo
     


    Golpe Militar. Entrevista com Celso Lungaretti

     

     

    ‘‘Ser omisso é ser cúmplice’’

     

    Entrevista: Celso Lungaretti
    Jornalista, escritor, ex-militante da VPR e ex-preso político

    Autora: Lídia Maria de Melo
               (Editora de Local)

    A família de Celso Lungaretti não era politizada em 1964, quando o golpe militar do dia 31 de março derrubou o governo do então presidente João Goulart. ‘‘Os acontecimentos políticos ainda pareciam distantes da minha realidade’’, lembra o jornalista, escritor e ex-preso político que tinha 13 anos na época.

    Três anos depois, seguindo ‘‘o sentimento difuso de contestação da autoridade’’ que havia na juventude brasileira e de outros países, Lungaretti ingressou no movimento estudantil. ‘‘O rito de passagem passou a ser a luta política’’.

    Estava com 18 anos, quando o marechal Arthur da Costa e Silva assinou o Ato Institucional (AI) nº 5, em 13 de dezembro de 1968, e o País perdeu suas garantias constitucionais. O Congresso foi fechado e direitos civis e políticos ficaram suspensos.

    O jovem Lungaretti, então, assumiu o codinome de Júlio e tornou-se o mais novo entre os dirigentes de uma organização de esquerda que defendia o combate à ditadura pela luta armada, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

    Ao lado de Carlos Lamarca, atuou em um campo de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira em 1970. Ex-capitão do Exército e exímio atirador, Lamarca havia desertado do 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna (SP), e se tornara um dos maiores inimigos do regime. 

    Logo depois, Lungaretti foi preso. Permaneceu incomunicável e sob sessões constantes de torturas. Em consequência, teve um tímpano perfurado e abalo mental. Acabou revelando a localização da área de treinamento desativada no Vale do Ribeira. O Exército, no entanto, descobriu o campo ativo e cercou Lamarca, que conseguiu escapar ileso. A partir daí, Lungaretti foi classificado como delator pela VPR.

    Soube disso porque seu nome não foi incluído na lista de presos políticos que deveriam ser libertados em troca do cônsul da Alemanha, Ludwig Von Holleben, sequestrado pela organização. 

    No limite de suas forças, Lungaretti cedeu à pressão e renunciou a seus ideais. Uma carta e sua foto foram publicadas em jornais. Diante de câmeras de TV, foi forçado a se arrepender. 

    Por 34 anos, se viu estigmatizado. Só em 2004, suas versões dos fatos foram aceitas pela Comissão Nacional de Anistia. No ano seguinte, publicou o livro Náufrago da Utopia — Vencer ou Morrer na Guerrilha. Aos 18 anos, pela Geração Editorial.

    Em entrevista a A Tribuna, Celso Lungaretti, hoje com 57 anos, fala sobre sua experiência na VPR, sobre tortura e as consequências da ditadura para o País. Também critica a posição do jornalista Elio Gaspari sobre o episódio da explosão de uma bomba no consulado dos Estados Unidos, em São Paulo, na noite de 20 de março de 1968.

    O que o levou, aos 18 anos, a aderir à luta armada para combater a ditadura?
    Comecei a fazer movimento estudantil em 1967. Em seu processo de afirmação, os jovens já não se chocavam mais com os pais repressores, e sim com o ‘‘sistema’’. Em 1968, tornei-me dirigente do movimento secundarista em toda a Zona Leste de São Paulo. Quando o acirramento da repressão tornou praticamente suicida o trabalho de massas, só os oito líderes estávamos dispostos a seguir em frente, correndo todos os riscos em nome dos ideais de liberdade e justiça social.

    Nem todas as organizações de esquerda pegaram em armas. Como avalia essa opção?
    Havia uma ditadura feroz, que respondeu à resistência desarmada com torturas e assassinatos, além de deixar os paramilitares de direita agirem à vontade. Depois da assinatura do AI-5, mergulhando o Brasil num terrorismo de estado que chegava a lembrar o nazi-fascismo, as opções passaram a ser: 1) não atuar politicamente, à espera de dias melhores; 2) atuar de forma anódina, sem incomodar realmente a ditadura; 3) atuar de forma consistente no seio das massas e ser logo preso e barbarizado; e 4) atuar na clandestinidade, pela via armada, o que permitia, pelo menos, permanecer algum tempo na luta e devolver golpes do inimigo, causando-lhe problemas. Então, a minha avaliação é de que agimos como verdadeiros cidadãos e pagamos um preço terrível por isso.

    Seu livro aborda o treino de guerrilha junto com Lamarca no Vale do Ribeira. Por que o sr. foi acusado de delação?
    Fiz parte da equipe precursora que foi implantar uma escola de guerrilha na região de Registro. O sítio que adquirimos tinha muitos inconvenientes. Passados dois meses, resolvemos abandonar essa área. Fui preso depois de quatro meses e, após ser torturado um dia inteiro, revelei a localização daquela área de treinamento abandonada, por saber que de nada serviria para a repressão. Realmente, os militares mandaram duas equipes para investigar e elas voltaram de mãos abanando. Aí houve novas prisões no Rio de Janeiro e a área ativa foi descoberta. Lamarca liderou a fuga de um pequeno grupo de guerrilheiros, que logrou escapar de militares treinados e melhor equipados. Logo em seguida, houve o sequestro do embaixador alemão e eu deixei de ser incluído na chamada lista de troca. Pelos critérios da organização, eu tinha direito de ser libertado. Adivinhei que estavam me atribuindo erroneamente a responsabilidade pela queda da área de treinamento. Demorei 34 anos para conseguir provar, a partir de relatórios secretos militares, que a delação da área ativa partiu de outra pessoa, cujo nome, por questão de princípio, prefiro omitir. Quando o historiador Jacob Gorender avalizou minha versão, admitindo em seu próprio livro Combate nas Trevas que estava errado a meu respeito, começou o processo da minha reabilitação.

    O sr. foi obrigado a renunciar a seus ideais. Qual foi o teor da declaração?
    Foram mais de dois meses de incomunicabilidade, embora mesmo as leis de exceção daquele tempo só permitissem um mês. Cheguei no limite das minhas forças. Depois de ter o tímpano do ouvido direito estourado e sob ameaça de morte, acabei participando de uma farsa de arrependimento, gravada no estúdio da TV Globo no Jardim Botânico (RJ) em plena madrugada e levada ao ar em cadeia nacional. O objetivo do Serviço de Inteligência do Exército foi reforçar o impacto obtido com a rendição do jovem Massafumi Yoshinaga, que renegou os ideais revolucionários (e depois se suicidou). Quanto às declarações que eu dei, só uma vinha do fundo da minha alma: o conselho a outros jovens para que não entrassem na luta naquele momento, pois já estava perdida e eles se sacrificariam à toa.

    Seu livro é uma forma de esclarecer esses episódios históricos?
    Quando escrevi, eles já estavam esclarecidos. O Gorender me inocentara no episódio de Registro e o relator do meu processo na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (Márcio Gontijo, ex-presidente da Seção Brasileira da Anistia Internacional) me qualificara de um dos pleiteantes mais atingidos em seus direitos pelo arbítrio ditatorial. Então, pude fazer o livro com um foco mais nobre: mostrar os riscos a que estão sujeitos os jovens quando participam de uma guerra de adultos. Quis fazer justiça ao sacrifício dos companheiros e amigos que entraram comigo na guerrilha.

    Que erros a esquerda cometeu no combate à ditadura?
    Independentemente de erros, o desfecho acabou sendo o mesmo nos vários países latino-americanos em que se implantaram ditaduras militares durante as décadas de 1960 e 1970. Então, eu diria que eram lutas impossíveis de serem vencidas — e, ainda assim, teria sido indigno nem sequer havê-las travado. No caso específico do Brasil, os grupos guerrilheiros superestimaram a insatisfação popular perceptível em 1968 e 1969. Sendo o Brasil um país pobre, bastou os Estados Unidos aumentarem substancialmente seus investimentos para a economia decolar e o regime passar a ser apoiado, principalmente pela classe média.

    Hoje, a população está ciente do que ocorreu no País de 1964 a 1985?
    Não. Boa parte dos jovens não quer nem saber do passado, como se o mundo só tivesse começado a existir no dia em que eles nasceram. Há também aqueles cidadãos idosos para quem a ditadura está associada às lembranças de dias melhores. Como naquele tempo a imprensa era rigidamente censurada, têm a falsa impressão de que havia menos corrupção e criminalidade. Então, ajudam a espalhar uma visão deturpada dos anos de chumbo, que vem ao encontro da propaganda atordoante de uma extrema-direita golpista que, encastelada em sites neo-integralistas, sonha com um novo 1964.

    No caso do atentado ao consulado dos Estados Unidos em 1968, no qual o santista Orlando Lovecchio perdeu parte de uma perna, que erros estão sendo divulgados atualmente?
    Este é um ótimo exemplo da demagogia inspirada pela direita. A Comissão de Anistia recomendou o pagamento de uma pensão a Diógenes de Carvalho, por ter sido preso e torturado pela ditadura. Cabe ao ministro da Justiça decidir se aceita ou não tal recomendação. Aí o jornalista Elio Gaspari colocou em sua coluna dominical, publicada em vários jornais, que Diógenes receberia duas vezes mais do que a vítima de um atentado por ele cometido, Orlando Lovecchio. Gaspari omitiu: que a pensão de Lovecchio foi concedida pelo Congresso Nacional, cujos procedimentos são diferentes dos do Ministério da Justiça, daí a impropriedade de quaisquer comparações; e que não havia evidências para acusar-se Diógenes de ser autor do atentado, além dos inquéritos policiais-militares da ditadura, contaminados pela prática generalizada da tortura e que, juridicamente, não valem absolutamente nada hoje em dia. Daí minha indignação contra Gaspari, que abusou de seu espaço na mídia para condenar Diógenes e aplicar-lhe a pena de execração pública, fazendo as vezes de juiz e carrasco.

    Quem realmente participou?
    Gaspari disse que a ação foi da VPR e acusou Diógenes, Dulce Maia, Sérgio Ferro, Rodrigo Lefèvre ‘‘e uma pessoa que não foi identificada’’. Logo depois, a Folha (de S. Paulo) e o próprio Gaspari admitiram que Dulce Maia era inocente dessa acusação e lhe pediram desculpas públicas. Aí veio o Sérgio Ferro e esclareceu que o atentado havia sido cometido por outra organização (a ALN), tendo como autores ele próprio, Lefèvre e um tal de Marquinhos, que logo foi morto pela repressão e cujo nome ele não ficou sabendo. Ou seja, Gaspari deu cinco chutes e errou três, por confiar no entulho autoritário. Como a participação do Diógenes não foi provada, sua matéria inteira desabou.

    Em um artigo, o sr. escreveu que o arquiteto Sérgio Ferro foi processado por Lovecchio, mas ganhou a ação, porque laudos médicos atestavam que o ferimento da perna dele se complicou por culpa dos agentes do Deops. Como se deu isso?
    Lovecchio só perdeu a perna porque seu atendimento médico foi interrompido para que o Deops o interrogasse, provavelmente supondo tratar-se de um participante do atentado atingido pela própria bomba, o que acabou causando a gangrena. Então, o laudo inicial dá conta de que ele poderia restabelecer-se bem do atentado. Já o outro relatório atesta que, no tempo em que ele ficou sendo interrogado pelo Deops, sua perna gangrenou e não podia mais ser salva.

    Se fosse possível escolher, o sr. se engajaria novamente na luta contra uma ditadura? Ou mudaria métodos de ação?
    Pegar em armas deve ser sempre a última opção. Mas, numa situação como a que existia no Brasil em abril de 1969, quatro meses depois da assinatura do famigerado AI-5, eu pegaria em armas de novo, sim. Pois aquela passou a ser a única forma de resistência possível. E eu continuo fiel aos valores da minha geração, como o de que, diante das injustiças extremas, ser omisso é ser cúmplice.


    Não deixe de ler o post anterior (abaixo), sobre o mesmo assunto.


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    Categoria: Ditadura militar
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 11h48
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    44 anos do golpe militar. Celso Lungaretti fala sobre a ação das Farc e da guerrilha brasileira

     

    Hoje, 31 de março, faz 44 anos que os militares deram um golpe de estado, depuseram o então presidente da República João Goulart e tomaram o poder de 1964 a 1985 (*).

    Para marcar a data, entrevistei Celso Lungaretti, jornalista, escritor, ex-integrante da organização de esquerda Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ex-preso político, que foi torturado e, no limite de suas forças físicas e mentais, obrigado a assinar um documento em que renunciava a seus ideais.  A entrevista está na página A-3 da edição impressa do jornal A Tribuna (de Santos) de hoje (31/3/08) -  . Nem tudo pôde ser publicado, por falta de espaço (Leia a íntegra no post acima). Entre o material que sobrou, está o trecho abaixo, que vale a pena ler:

    Lídia Maria de Melo (**): _ Você já condenou as ações da Farc na Colômbia. Há quem compare a organização colombiana com as brasileiras que pegaram em armas na época da ditadura militar. Você concorda com a comparação?
    Celso Lungaretti (***): _ Não. Lutávamos contra uma ditadura ostensiva. Eles, contra uma democracia que tem alguns traços autoritários, mas nem de longe pode ser comparada com os regimes militares das décadas de 1960 e 1970. No nosso caso, era indiscutível que estávamos exercendo o direito milenar de resistência à tirania. No deles, isso é, no mínimo, ambíguo. Finalmente, mantínhamos uma ética de combatentes por um mundo melhor: mesmo enfrentando um inimigo que recorria aos expedientes mais hediondos, esforçávamo-nos para não nos igualarmos a ele. Podemos ter cometido um ou outro exagero no calor da luta, mas nunca seríamos capazes de  manter 700 cidadãos em cativeiro degradante. Sequestrávamos diplomatas para trocá-los por companheiros que estavam sendo barbaramente torturados e poderiam ser executados a qualquer momento, não para obter resgates, pressionar governos ou usá-los como escudo protetor.

    (*) Leia mais sobre o golpe militar aqui.

    (**) Celso Lungaretti é autor do livro Náufrago da Utopia _ Vencer ou Morrer na Guerrilha. Aos 18 Anos.

    (***) Lídia Maria de Melo é autora do livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós. Também escreveu artigos e reportagens sobre o assunto. Clique no artigo 1, artigo 2, artigo 3, reportagem 1, reportagem 2


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    Categoria: Ditadura militar
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 00h11
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    Acaso

    Às vezes, parece que a vida nos trapaceia.

    Tomamos uma decisão, acreditando que é a mais acertada, e, tempos e tempos depois, percebemos que havia uma escolha melhor. Ou o contrário, optamos por não seguir por uma vereda, crentes de que outro caminho é o mais adequado, e depois nos defrontamos com a realidade de nosso engano.

    Será que isso é aquela história de ''Deus escreve certo por linhas tortas''?

    No início da noite, saí a caminhar, pensando em um alguém e acabei tendo a prazerosa surpresa de me encontrar com outro. Foi como se a vida quisesse me dar um recado.

    Há momentos em que minha intuição está tão aguçada que chego, involuntariamente, a ler o pensamento das pessoas, a ponto de responder a elas antes que tenham esboçado uma palavra sequer. Isso é de tal maneira forte que chega a me atrapalhar, a causar situações embaraçosas. Mas, quando quero deliberadamente que essa intuição se manifeste, ela não funciona. Fico à mercê do destino como todos os seres normais.


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    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h37
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    Argentinos, brasileiros e tibetanos

     

    Os argentinos podem ser nossos maiores rivais quando se trata de futebol, mas somos obrigados a admitir que o povo de Maradona tem sangue nas veias e consciência histórica invejáveis.

    Só para ficar em fatos mais recentes, basta ver a posição deles (notadamente a determinação, resistência e perseverança das avós da Praça de Maio) diante dos desmandos e horrores da ditadura que se instaurou naquele país de 1976 a 1983, resultando no seqüestro, desaparecimento e morte de milhares de pessoas.

    Nos últimos dias, o povo voltou a demonstrar que é ele que elege seus comandantes e, portanto, deve ser respeitado. Na terça-feira, logo após um discurso da presidente Cristina Kirchner, ouviu-se primeiro um bater de panelas solitário. Era uma senhora no meio da rua, demonstrando sua contrariedade em relação à posição da chefe da Casa Rosada perante à manifestação dos produtores agrícolas. Logo depois, uma outra panela começava a bater em uma janela de apartamento. Não demorou muito para moradores de Buenos Aires tomarem as ruas batendo panelas e se postando na Praça de Maio diante do palácio do governo. Nesses momentos, é que fica patente a diferença entre argentinos e brasileiros.

    Deixo claro que adoro ser brasileira e admiro a força de nosso povo. Mas a passividade diante de afrontas e afrontas aos nossos direitos e a falta de consciência histórica são desanimadoras e irritantes. 

    Outro fato que merece destaque foi o que ocorreu ontem em Lhasa (Tibete). O governo chinês convidou a imprensa internacional para mostrar e comprovar que tudo voltara à paz naquele país. Mas, como disse o jornalista Marco Losekan, da Rede Globo, surgiu de repente um grupo que não havia sido convidado. Eram monges budistas, denunciando aos repórteres que estavam sendo mantidos trancafiados em um mosteiro. Não ficou claro como eles conseguiram sair de lá e denunciar, mas o episódio evidenciou que a paz que a China tenta exibir ao mundo não passa de um conto de fadas, ou melhor, algo que traz à mente a tão propalada tortura chinesa.

    Escreveria mais e melhor, mas o tempo é curto. Até mais.


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    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 13h24
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    Recado de Deus

     

                                          Lídia Maria de Melo

     

    (Em 9 de junho de 2003, escrevi este poema para uma das pessoas que mais amo na vida)

     

    Todo dia você me surpreende.

    Me acorda, me abre os olhos

    forçadamente

    e me deseja,

    com travessura, meiguice

    e pureza única:

    ‘‘Teja bons sonhos, titia.

    Quer que eu apague a luz?’’

    Nessas horas, eu sei que Deus existe.

     


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    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 22h44
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    AÇÃO DAS PALAVRAS

                               (Lídia Maria de Melo)

     

    Você não é tudo o que tenho.

    Minhas necessidades e alegrias são muitas,

    mas você faz parte de mim

    como meus olhos, meus pés,

    as mãos, o trabalho,

    os sonhos, os deuses,

    a lua, o dia,

    a chuva

    que satisfaz

    e às vezes me irrita.

    Você me faz lembrar

    a filosofia das mulheres antigas,

    anteriores à queima de sutiãs.

    Você me faz entender

    a estranha lógica de Dona Olinda,

    viúva de seu Chico,

    dono da venda que perguntava:

    “Quer celveja de casco velde?”

    De eterno negro, luto absorvido

    que não disfarçava os maus-tratos,

    ela repetia a olhos molhados:

    _ Ruim com ele, pior sem ele.

    Em você, eu encontro a ação das palavras.

     

    (Escrevi este poema em 1984. Este mês, ele foi publicado na revista Mirante, do Valdir Alvarenga)


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    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h55
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    A informante e o suspeito

     

    O desaparecimento de Andréia Schwartz, a garota de programa brasileira presa em Nova Iorque, me fez lembrar do filme ‘’O Suspeito’’, dirigido por Gavin Hood.

    Andréia deu informações ao FBI sobre o envolvimento do governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, com uma rede de prostituição. O caso fez o governador renunciar.

    Em troca das informações, a brasileira deveria receber uma pena mais branda e documentos que permitiriam que ela fosse deportada para o Brasil. Viria no vôo 951 da American Airlines na sexta-feira, mas não desembarcou no País.

    No filme ‘’O Suspeito’’, baseado em fatos reais, um egípcio naturalizado norte-americano é considerado suspeito de terrorismo e desaparece num vôo que partiu da África do Sul em direção a Washington, nos Estados Unidos. Embora a partida dele conste dos arquivos sul-africanos, no aeroporto norte-americano não há registro do desembarque.

    Na verdade, ele foi preso ilegalmente em território americano e levado para o Egito, onde passou por interrogatórios sob torturas constantes. Todos os seus dados foram apagados da lista de passageiros. A bagagem foi destruída. Tudo, com o aval das autoridades norte-americanas.

    O filme, que tem no elenco Jake Gyllenhaal, Reese Witherspoon e  Meryl Streep, mostra que os Estados Unidos não são o país que respeita os direitos humanos acima de tudo, como eles costumam propalar. E um diálogo entre os personagens de Gyllenhaal e Mary Streep chama muito a atenção no momento em que ele, um agente do FBI, questiona os métodos de torturas empregados em interrogatórios e ela enfatiza: ‘’Os Estados Unidos não torturam’’.

    Tomara que Andréia tenha mais sorte que o personagem do filme. Pelo jeito, por ser uma prostituta, ninguém está muito interessado em pedir explicações sobre seu paradeiro. Mas, gostem ou não, ela é uma cidadã brasileira e o Governo Brasileiro tem o dever de zelar por sua integridade física (sem trocadilhos). Aposto que os moralistas não se importariam se fizessem parte da agenda ''profissional'' dela, mas, para exigir explicações do Governo Norte-americano, ninguém se habilita. O fato é um só: se a moça realmente desapareceu, as autoridades brasileiras também têm que se empenhar para trazê-la de volta ao território nacional, cuja soberania deve ser respeitada em qualquer situação. Afinal, não é o que diz a nossa Constituição em seu Capítulo I? ''Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)'' 

     


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. 

     



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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h58
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    Dia da Mulher

     

    Ontem, Dia Internacional da Mulher, me dei de presente o silêncio, para me desintoxicar da pressão e do estresse do dia-a-dia. Adoro ouvir o silêncio e ficar em silêncio (coisas que minha profissão me impede de fazer).

    Passei a tarde sozinha (não, solitária). Fui ao cinema e assisti ao filme ''O Signo da Cidade'', roteirizado e estrelado pela Bruna Lombardi e dirigido pelo Carlos Alberto Riccelli. O filme tem mesmo a cara e o jeito da Bruna. Digo isso, porque conheço a obra literária dela. Os poemas. Muito bons.

    Depois do filme, me presenteei também com umas novas peças de roupas. Mas o melhor presente eu recebi de um bebê, de mais ou menos 1 ano. Ele estava no colo do pai, que descia do carro, enquanto eu abria a porta do meu. Sem que nenhum adulto percebesse, ele me olhou fixo. Estava sério. Eu também olhei e sorri. Ele percebeu e me devolveu um sorriso lindo. Foi uma bênção.

    Nos tempos atuais e em nossa terra, a existência de um Dia Internacional da Mulher parece fora de contexto, mas a data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas), para reverenciar 129 operárias que morreram queimadas durante uma ação policial numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 8 de março de 1857. Elas pediam a redução da jornada diária de trabalho, de 14 para 10 horas, e o direito à licença-maternidade.

    Mesmo hoje em dia, em países muçulmanos da África e do Oriente Médio, se uma mulher praticar adultério ou só for acusada de ter traído o marido é condenada ao apedrejamento. Se for considerada desonrada, pode ser apenada com o estupro coletivo. Também em países africanos, as meninas têm o clitóris retirado com lâmina ou faca, para que não tenham prazer sexual.

    Em muitos países, as mulheres não têm direito a voto, a exemplo do que ocorria no Brasil até a década de 30. Até os anos 80, era comum um homem matar a mulher e ser absolvido sob o argumento de legítima defesa da honra. Ainda hoje, embora as mulheres tenham conquistado o mercado de trabalho, os salários da maioria delas não são iguais aos dos homens que exercem a mesma função.

    Poderia fazer uma extensa lista de motivos que justificam a criação do Dia Internacional da Mulher, como forma de chamar a atenção para as aberrações que ainda se cometem no mundo, mas fico por aqui.



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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h05
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    A Morte de Um Dissidente

     

    Finalizei a leitura do livro ''Morte de Um Dissidente _ O Envenenamento de Alexander Litvinenko e a Volta da KGB'', lançado no fim do ano passado por Alex Goldfarb e Marina Litvinenko. Ela é a viúva de Sacha Litvinenko, o ex-agente da KGB e FSB, que foi envenenado em Londres em novembro de 2006 com polônio 210. Esse produto contém radiatividade alfa. Na verdade, uma minibomba atômica pra lá de potente. O efeito causado no organismo foi o mesmo que se ele tivesse estado duas vezes no epicentro do acidente de Tchernobil. Antes de morrer, Sacha acusou Vladimir Putin de ter ordenado o envenenamento. 

    O livro mostra os bastidores políticos da Rússia, depois do fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Parece uma reunião de filmes dos tempos da Guerra Fria. Só que é realidade e se passa, não em décadas passadas, mas de 1989 a 2006. Tempo muitíssimo recente. Aliás, ele faz conexões com as eleições deste ano e enfoca muito as atividades de Boris Berezovski, um homem com muita influência na Rússia durante o governo de Ieltsin, mas que depois se exilou. Aqui no Brasil, ele se tornou conhecido por sua participação no falecido Corinthians. Quanto ao livro, vale muito ler. Surpreendente e até assustador. Dá até medo de comentar.



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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h32
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    Múmias emparedadas

     

    A descoberta das múmias de freiras no Mosteiro da Luz, em São Paulo, me fez lembrar do conto O Gato Preto, de Edgar Allan Poe, e de uma cena da personagem Alvaraciana, vivida por Fátima Freire na minissérie Escrava Anastácia (se não estiver enganada), exibida pela extinta TV Manchete, em 1990. No conto, existe uma situação de emparedamento. Não vou contar, para não estragar a surpresa de quem pretende ler. No caso da personagem de Fátima Freire, pelo que me lembro, ignorada pelo marido, ela é flagrada em intimidades afetuosas com uma amiga. O marido, fazendeiro do século 18, não tem dúvidas: manda os escravos emparedá-la viva dentro da própria casa. O grito dela de horror nunca me saiu da cabeça.  

    Essas lembranças me levaram a pesquisar no Google a expressão ''sepultadas vivas emparedadas''. A pesquisa me pôs diante do texto da advogada trabalhista Sylvia Romano ''A Inquisição no Brasil e as Freiras Emparedadas''.  Ela expõe uma dúvida que me veio à cabeça logo que ouvi a notícia: será que as freiras foram enterradas vivas ou se trata apenas de mais um costumeiro cemitério de religiosas, a exemplo de tantos que existem em templos católicos? Para ler o texto de Sylvia Romano, clique aqui.

     



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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h14
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    À minha meia dúzia de leitores

     

    Ando meio ausente, mas volto já. É culpa da falta de tempo e do cansaço, dois vampiros que costumam consumir a energia e a inteligência do ser humano. Mas como diz dona Mercedes, a grande filósofa que me atura desde que me entendo por gente: ''Tem nada não, um dia macaco é homem''. Espero que ela tenha razão.



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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 11h35
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