Outro dia, recebi um e-mail de uma amiga e resolvi transcrevê-lo aqui:
Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido, bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai. Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho.
- Nunca esqueça de seus amigos, aconselhou. Serão mais importantes na medida em que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisas com eles; telefone para eles...
Que estranho conselho!, pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza, minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo de que necessito para dar sentido à minha vida!
Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contato com seus amigos e anualmente aumentava o número de amigos. Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. Na medida em que o tempo e a natureza realizam suas mudanças e mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida. Passados mais de 50 anos, eis o que aprendeu:
O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa.
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
MAS ... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre vocês.
Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, abençoando sua vida!
Quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante. Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.
Se achar que deve, remeta este texto a todos os amigos que ajudam a dar sentido à sua vida.
Hoje, o recado veio da França. Ou melhor, os franceses nos deram uma lição. Uma, não. Duas.
Primeiro, receberam de braços abertos e com muito carinho o nosso Gustavo Kuerten, o Guga. A imprensa e o público que admira tênis continuam considerando o Manezinho da Ilha como O Rei do Saibro. É um tapa com luva de pelica nos brasileiros que passaram a desdenhar do Tricampeão de Roland Garros, desde que a dor no quadril começou a impedi-lo de continuar vencendo os abertos de tênis, como ocorria até pouco tempo.
É uma pena que os brasileiros já tenham se esquecido de todas as conquistas de Guga. É lamentável que não percebam que toda vitória inclui derrotas. É triste saber que os estranhos reconhecem o valor desse campeão que deixa as quadras com dignidade, não por incompetência, mas por uma contingência, enquanto muitos brasileiros, não. As vitórias que Guga conquistou, sabem os franceses, já foram escritas na história do tênis com suas raquetadas e seus gemidos característicos em quadra. Com seu talento merecedor e desprovido de arrogância. Com a humildade de quem sabe ser grande.
A segunda lição veio de Cannes, do festival de cinema mais do que consagrado. O júri escolheu Sandra Corveloni como a melhor atriz, quando ninguém falava nela, quando todos apostavam em Angelina Jolie, entre outros nomes mundialmente famosos.
Atriz de teatro há anos e integrante do grupo Tapa, Sandra estreou agora no cinema por meio do filme ''Linha de Passe'', de Walter Salles e Daniela Thomas, e não foi a Cannes, porque perdeu um bebê e não podia viajar. No grupo Tapa, além de atuar, Sandra é professora e assistente de direção. No teatro, seus principais trabalhos são "As viúvas", de Arthur Azevedo, "Contos de sedução", de Guy de Maupassant, e "Órfãos de Jânio", de Millôr Fernandes.
Será que já não é hora de perdermos o complexo de inferioridade e de começarmos a reconhecer os talentos que temos em casa? Ou será que vamos bater sempre naquela tecla de que o importado é que é bom? Ou vamos insistir em reafirmar o ditado de que santo de casa não faz milagre?
Está mais do que na hora de entender o recado da França.
Para Guga, para Sandra e tantos e tantos brasileiros talentosos, famosos ou anônimos, eu tiro o chapéu e rendo os meus aplausos.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Zélia Gatai morreu, aos 91 anos, na Bahia. Foi encontrar-se com Jorge, como ela chamava o marido, o escritor Jorge Amado, o amor de sua vida. Vão continuar a ser felizes.
Publiquei no site do jornal A Tribuna (de Santos), na seção Papo Exclusivo Com Editores, um comentário sobre a qualidade do ensino das escolas públicas estaduais. Reproduzo abaixo, junto com comentários enviados por leitores:
Não surpreende a situação das escolas estaduais no Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp), anunciado quinta-feira pela secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães. Criado para medir a qualidade do ensino nas 5.183 escolas do Estado, o Idesp apontou que 1.112 unidades da Baixada Santista - de 2.102 existentes - tiraram média abaixo de 7, numa escala de zero a 10.
Na região, somente em Santos houve escolas que ultrapassaram a média estadual, que foi de 3,23, entre unidades de 1ª a 4ª série.
Diferentemente do que ocorre nas redes particular e municipal, essa situação, com raras exceções, deverá continuar se repetindo por anos no ensino público estadual, a menos que seus gestores se conscientizem de que Educação só dá resultado a longo prazo.
O Estado não pode ficar dependendo de iniciativas isoladas, como as que ocorrem em algumas unidades, por abnegação de diretores, professores, pais e alunos. É preciso que haja uma política educacional (desvinculada de partidos) com metas a serem cumpridas e atingidas em toda a rede.
Não é mais possível admitir que, a cada mudança de governo, altere-se a sistemática de ensino. É preciso preservar o que está dando certo e combater os problemas, como a desmotivação. É necessário que existam pessoas comprometidas com o futuro deste País.
A secretária Maria Helena diz que, com os dados do Idesp, o objetivo agora é estabelecer metas que deverão ser alcançadas, ano a ano, até 2030. A idéia é boa, mas será preciso que a população cobre que esse procedimento se mantenha, mesmo se o Estado estiver sob nova direção.
Comentários de leitores
Carlos Gama | 16/5/2008 09:15| delphim@procuram-se.com|
Você tem toda a razão, Lídia Maria, em seus comentários e análises. A qualidade do ensino (mais por questões políticas que quaisquer outras) vem caindo, ano a ano, a ponto de se encontrar, ao término dos quatro primeiros anos escolares, crianças quase analfabetas. Sim, deve haver seriedade no trato das questões educacionais, os programas têm de ser para longo prazo e respeitados, sob pena de continuarmos nesta decadência. A prática usual e irresponsável do muda governo muda tudo, deve ter fim.
A qualidade de ensino já despencou há muito tempo.Minhas filhas passaram pelo ensino em escolas públicas e vi que um ou dois professores davam aula. Outros faltavam ou enrolavam, deixando a classe sem fazer nada, inclusive ao ficar corrigindo provas.É sofrível e talvez por tudo isso é que os jovens estão desmotivados com a aula e sem cultura geral.Mas, qdo o Governador vem visitar as escolas até papel higiênico eles colocam nos banheiros, uma maravilha.Depois tudo volta ao normal.
Sou diretora de escola estadual aposentada e creio que muita coisa não mudou desde que me desliguei da Educação Oficial. Um dos maiores problemas, na minha opinião, já levantado no artigo é a gestão do diretor da escola. Poucos são efetivamente comprometidos política e afetivamente com as escolas que dirigem.
helio amarante | 17/5/2008 10:21|
Infelizmente o processo de ensino está jogado no lixo, alguns pseudos conhecedores de ensino perderam a lisura de ensinar o que realmente deveria ser ensinado, as escolas não tem apoio, ficam entregues nas mãos de professores que pouco se reciclam, escolas totalmente abandonadas, sistema de ensino que empurra as crianças sem ao menos aprender a taboada, enfim um sistema de ensino que está levando com a barriga e ensinando nada aos que querem aprender. Este sistema de ensino está ultrapassado.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
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Hoje está um dia de sol tão brilhante e baixa umidade do ar. Legal para os cabelos femininos (e talvez para os masculinos também), que ficam mais sedosos e menos rebeldes. Aquela nossa constante umidade nos dá trabalho em termos capilares.
Mas não queria falar nada disso. Quero homenagear a Fabiana que se tornou mãe no dia 1º e vai passar o primeiro dia das mães com seu pimpolho Lucas.
Também me lembrei da Diguê que está em Londres, feliz da vida, mas ainda sentindo falta da internet. Tive vontade de contar a ela que a CPFL Piratininga começou a instalar postes de energia elétrica no Iriri, bairro da área continental de Santos, que ainda vive na total escuridão. A única coisa boa do breu é que a comunidade ainda pode ver o céu cheio de estrelas à noite. A Diguê fez várias reportagens cobrando luz e até ganhou um prêmio (uma viagem a Londres). Anos mais tarde e uma viagem depois, parece que a energia elétrica vai se tornar realidade.
Para todos, ofereço essa flor que fotografei no domingo. Chama-se Ciclame (cyclamen persicum). A Nara Leão cantava uma música que falava nela: ''Ciclame, meu bem me chame/No céu azul pra chover/Me ame e chame meu nome/no meio do teu prazer''.
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Ouça Caetano Veloso e Elza Soares cantando ''Língua'', uma preciosidade (de 1984) de autoria do compositor e cantor baiano, filho de dona Canô e irmão de Maria Bethânia. Depois, leia a letra abaixo do vídeo, tirado do Youtube. (A dupla cantou na Discoteca do Chacrinha. Faz tempo!)
Língua (Caetano Veloso)
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar a criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixe os Portugais morrerem à míngua “Minha pátria é minha língua” Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas! Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate E – xeque-mate – explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do lobo do homem Lobo do lobo do lobo do homem Adoro nomes Nomes em ã De coisas como rã e ímã Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã Nomes de nomes Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção Está provado que só é possível filosofar em alemão Blitz quer dizer corisco Hollywood quer dizer Azevedo E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo A língua é minha pátria E eu não tenho pátria, tenho mátria E quero frátria Poesia concreta, prosa caótica Ótica futura Samba-rap, chic-left com banana (– Será que ele está no Pão de Açúcar? – Tá craude brô – Você e tu – Lhe amo – Qué queu te faço, nego? – Bote ligeiro! – Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado! – Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho! – I like to spend some time in Mozambique – Arigatô, arigatô!) Nós canto-falamos como quem inveja negros Que sofrem horrores no Gueto do Harlem Livros, discos, vídeos à mancheia E deixa que digam, que pensem, que falem.
(Transcrevo aqui este poema da atriz, escritora e jornalista Elisa Lucinda, porque expõe o que, certamente, muita gente gostaria de ter escrito. Eu, inclusive).
Da chegada do amor
Autora: Elisa Lucinda
Sempre quis um amor que falasse que soubesse o que sentisse. Sempre quis um amor que elaborasse Que quando dormisse ressonasse confiança no sopro do sono e trouxesse beijo no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor que coubesse no que me disse. Sempre quis uma meninice entre menino e senhor uma cachorrice onde tanto pudesse a sem-vergonhice do macho quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo BOM DIA! morasse na eternidade de encadear os tempos: passado presente futuro coisa da mesma embocadura sabor da mesma golada. Sempre quis um amor de goleadas cuja rede complexa do pano de fundo dos seres não assustasse. Sempre quis um amor que não se incomodasse quando a poesia da cama me levasse. Sempre quis um amor que não se chateasse diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda metade de mim rasga afoita o embrulho e a outra metade é o futuro de saber o segredo que enrola o laço, é observar o desenho do invólucro e compará-lo com a calma da alma o seu conteúdo. Contudo sempre quis um amor que me coubesse futuro e me alternasse em menina e adulto que ora eu fosse o fácil, o sério e ora um doce mistério que ora eu fosse medo-asneira e ora eu fosse brincadeira ultra-sonografia do furor, sempre quis um amor que sem tensa-corrida-de ocorresse. Sempre quis um amor que acontecesse sem esforço sem medo da inspiração por ele acabar. Sempre quis um amor de abafar, (não o caso) mas cuja demora de ocaso estivesse imensamente nas nossas mãos. Sem senãos. Sempre quis um amor com definição de quero sem o lero-lero da falsa sedução. Eu sempre disse não à constituição dos séculos que diz que o "garantido" amor é a sua negação. Sempre quis um amor que gozasse e que pouco antes de chegar a esse céu se anunciasse.
Sempre quis um amor que vivesse a felicidade sem reclamar dela ou disso. Sempre quis um amor não omisso e que suas estórias me contasse. Ah, eu sempre quis um amor que amasse.