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BRASIL, Mulher, Música, Livros, Filmes, Jornalista, Professora, Escritora. E-mail: limarmello@bol.com.br



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     Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós, reportagem sobre meu livro (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
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    Blog da Lídia Maria de Melo
     


    ALÉM DO HORIZONTE

     

    Além do horizonte

    É tão bom poder ver o oceano assim de perto! É revigorante saber que, apesar de todo esse mar, além da linha do horizonte há uma porção de gente, vidas, histórias... Isso não me impede de ter muito medo do mar.

    Direito autoral

    Há pessoas que não entendem por que assino meu nome dentro das fotos. Explico a razão: é para preservar os direitos autorais. Não há problema algum se alguém desejar copiar minha foto para colocar em seu blog ou em sua página no orkut. Eu só faço questão de que seja dado o crédito. Isso quer dizer que o meu nome deve constar como autora da foto. O mesmo vale para os textos. Muita gente desconhece, mas reproduzir texto ou foto de uma pessoa, sem lhe dar o devido crédito (explicitar a autoria) ou sem autorização, é crime previsto em lei. Mas, quando a gente pede, há quem considere isso exibicionismo ou egoísmo. Não é. É direito.


    Atenção:
     É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998    



    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h15
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    Nunca Mais

     

    A gente nunca se acostuma com as perdas. Já escrevi sobre isso aqui, quando falei da morte de meu pai e de minha irmã mais velha.

    Passar a vida ao lado de alguém e, de uma hora para outra, ter de testemunhar sua morte causa uma dor infinita. Um dia, ela suaviza, mas de vez em quando, mesmo de leve, volta e incomoda.

    Terça-feira à noite, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu sua mulher, Ruth, com quem viveu mais de meio século. Ontem à noite, o cantor Eduardo Araújo também ficou, para sempre, sem sua companheira de quase 40 anos, a cantora Silvinha. Ambos devem estar sentindo essa dor definitiva.

    A gente já deveria nascer preparado para a morte, para a separação, para a perda, mas não adianta, a gente sempre sofre.

    Será que daria para ser diferente? Não imagino. O que sei é que essa ruptura é a representação mais exata da expressão ''nunca mais''. E essa concretização machuca, dilacera, faz sofrer, faz chorar. 


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998    



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 04h15
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    Quase Um Segundo

       

    Há anos, Herbert Viana compôs uma música linda (Quase Um Segundo) que os Paralamas do Sucesso gravaram. Hoje, me lembrei dela e quis ouvir. Encontrei no Youtube um vídeo de Andrea Bonatelli. Ouça e, depois, passe os olhos nas minhas fotos do post anterior (abaixo). A tarde de sexta-feira estava simplesmente extasiante! Foi um presente de Deus. O frio e a chuva fizeram do dia de ontem o oposto da sexta-feira. Pena que não pude fotografar esse contraponto. 



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h34
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    Fotos do fim de tarde

                                                     

                                                             Fotos de Lídia Maria de Melo

    Pôr-do-sol em fim de tarde

    Tarde de folga, aproveitei para fazer algumas coisas para as quais nunca tenho tempo.

    Respondi, sem pressa, o e-mail de um amigo, fui a uma agência dos Correios e caminhei por um lado da Cidade onde quase não circulo. Na volta, aproveitei para observar o pôr-do-sol na praia e fotografar e filmar.

    A tarde é um período tão tranqüilo do dia! Gosto da luz que ela produz.

    Fiz umas fotos, neste fim de tarde do último dia do outono, para que um amigo que mora no outro lado do Oceano Atlântico possa matar a saudade de Santos. Apesar da chegada do inverno, hoje, não está frio. Nem aquele calor insuportável, tão característico de nossa cidade. Estou calma e em paz, como foi a tarde de hoje.

      A cidade em fim de tarde


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998  



    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 19h24
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    Causando

     

    Em seu blog, a amiga jornalista Vânia Lúcia Augusto nos faz uma homenagem no link Causando, mostrando fotos minhas durante solenidade em homenagem aos 200 anos da Imprensa no Brasil, em 29 de maio último. No blog, Vânia também dá dicas de moda e estilo.

    Por sinal, ''causando'' é a gíria fluente entre a garotada, para dizer que alguém está fazendo sucesso, chamando a atenção e coisas afins.



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h02
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    Passam-se anos e os atos se repetem.

     

    Provocada pela ação bárbara e absurda do Exército, a morte dos três rapazes, no Rio, faz lembrar as torturas e os assassinatos ocorridos no País durante o período da ditadura militar. Não é de se espantar! Infelizmente, o modo de agir do Exército não surpreende!



    Categoria: Ditadura militar
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h00
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    DEPOIS

     

    Adoro o poeta gaúcho Mário Quintana.

    Em 20 de maio de 2006, publiquei aqui

    neste blog o poema ''Depois''.

    Como tem gente que ainda não conhece,

    acho que vale a pena republicar.  Quintana 

    publicou este poema em 25/6/1978, no Folhetim, p. 2,

    então suplemento do jornal Folha de S. Paulo:

     


    Só porque vai deixando tudo para depois
    é que Deus é eterno
    e o mundo imperfeito.
    A carta que foi interrompida
    o poema que ficou inconcluso
    a palavra que apenas sorriste
    e não disseste...
    é a vida!
    Ah, se o mundo fosse perfeito
    a gente morria de tédio
    como numa utopia
    unicamente povoada de estátuas gregas
    _ antes estas nossas entidades equestres
    porque sempre se fica pensando
    nalguma coisa melhor.
    Se o céu que me prometiam as minhas
    velhas tias paroquianas fosse aquele mesmo
    _ um domingo eterno _
    antes o inferno, antes o inferno!
    A verdade é que não quero sossego
    também na outra vida.
    Mas eu estava falando era nesta:
    desconfio
    que estou fazendo um poema em espiral!
    O melhor é ir pingando logo aqui
    estes três pontinhos...
    estes três pontinhos...
    O resto é um eterno depois.




    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h40
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    O silêncio

     

    Quando eu era bem jovenzinha e dava aulas para classes de primeira série do Ensino Fundamental, às vezes não sabia o que fazer para deixar a classe quieta. Eu me encantava com as coisas que as crianças falavam e deixava transparecer. Não conseguia dar bronca naqueles meninos e meninas de 6, 7 anos de idade. E eles, espoletas, falavam, falavam, falavam.

    Cantava para eles, contava histórias, fazia carinho... e, o mais importante, ensinava a ler e a escrever. Mas eles não paravam de conversar.

    Então, um dia, tive uma idéia que deu certo. Quando eles estavam no limite do falatório, eu convoquei: _ Psiu! Psiu! Vamos ouvir o silêncio!

    Eles obedeceram no ato e ficaram quietinhos, tentando ouvir o silêncio. Depois de um tempo, eles mesmos pediam: _ Vamos ouvir o silêncio?

    E ouvíamos.

    Às vezes, o melhor que a gente faz é deixar a alma quieta, para ouvir... o silêncio.


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998  



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h09
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    Assalto no Dia dos Namorados

     

    Com as bênçãos e a proteção de Santo Antônio, que a sexta-feira nos seja leve, porque o Dia dos Namorados não foi tão assim.

    Jornalista gosta de notícia e vive atrás dela, mas ontem a notícia é que ocorreu diante de nós. Às 18 horas, no momento em que a maioria dos trabalhadores do Centro de Santos encerrava suas funções, para voltar para casa, no instante em que muitos davam uma pausa nas atividades ainda não acabadas, para tomar um café ou pegar o carro no estacionamento, ouvimos _ da  Redação do jornal A Tribuna _ uns tiros. Corremos para a janela e testemunhamos um cidadão com arma em punho atirando em um rapaz, depois de ter dado outros tiros em outro. Ele mesmo gritou para outros rapazes, para que eles chamassem a polícia. Da Redação, uma repórter  telefonou para o 190. Eu telefonei para os bombeiros, no 193, solicitando socorro para os feridos. O trânsito ficou tumultuado. Mais do que tem estado. E não dava para desviar, porque a General Câmara está interditada, em obras, assim como parte da Martim Afonso e da Itororó.

    Viaturas e mais viaturas da Polícia Militar e da Civil começaram a chegar com suas sirenes ligadas. Paravam em qualquer lugar, para desespero dos agentes da CET, que não conseguiam dar jeito em tamanha confusão de carros, ônibus, motocicletas, pedestres... Apito e mais apito.

    Os fotógrafos correram todos para fazer a melhor foto. Os repórteres se agitaram em busca de informações. O trecho da Itororó, onde estava o carro do autor dos disparos, ficou interditado com faixas amarelas e pretas, até que os peritos chegassem. Os baleados foram levados. Um por uma viatura da PM. Outro pelo resgate do Corpo de Bombeiros.

    Não tardou para termos a história completa. Dois rapazes, um adolescente de 15 anos e um jovem de 23, renderam o dono de um palio verde, estacionado na esquina da Itororó com a João Pessoa, a pouquíssimos metros do jornal. Quase em frente.  Ele saiu do carro, enquanto a dupla entrou. Só que ele era um policial militar sem farda, de folga. Puxou sua arma e atirou no que estava na direção. O adolescente correu pela João Pessoa. Ele foi atrás e disparou. Ele caiu na calçada, bem em frente ao jornal. E ali ficou sangrando até ser levado pelos bombeiros, embrulhado em alumínio, para evitar a hipotermia. Pelas fotos que vimos depois, estava amarelo e gritando de dor. O outro, que recebeu mais tiros, foi desacordado para o hospital, para ser submetido a cirurgia. Muita adrenalina! E tristeza.

    Que tristeza mesmo! Por sorte, os disparos não atingiram nenhum pedestre inocente. Que pena que dois jovens tenham enveredado pelo caminho do crime e resolvessem praticar assalto. Que triste um destino desses. Nós, jornalistas, tivemos a notícia diante de nossos olhos, mas não ficamos satisfeitos, ao contrário do que muitos imaginam. Ficamos agitados, nervosos e também amedrontados. Ali, tão perto, a vítima de assalto poderia ser um de nós. Ali, tão perto, os disparos também poderiam ter atingido um de nós (meu carro estava estacionado bem diante do carro assaltado e àquela hora eu poderia ter ido tomar lanche, como faço quase todos os dias). A dor poderia ser nossa. Quando o perigo chega a tocar a nossa pele, a gente sente muito  mais e se coloca no lugar do outro e partilha as dores do outro. Somente com esse sentimento é que podemos lutar por um mundo melhor. Não sei se conseguiremos. Mas temos a obrigação de tentar. Todas as horas. Todos os dias. Mesmo que seja o dos namorados, mesmo que seja uma sexta-feira 13, um dia de Santo Antônio.


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    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 11h59
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    Sentimento

     

                 Lídia Maria de Melo

     

    Quando você fala comigo,

    uma revoada de pássaros

    faz ziguezague no ar,

    meu sorriso fica frouxo

    e a vida brilha.

     


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    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h40
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    Neologismos

     

    Em 29 de agosto de 2007, fiz uma palestra durante o XXX Congresso Brasileiro Ciências da Comunicação, realizado em Santos. Discorri sobre o tema de minha dissertação de Mestrado (obtido na ECA/USP): A influência dos Jornais no Processo de Criação de Neologismos na Língua Portuguesa.

    As estudantes Angélica Calheiros e Joceline Gomes, do Curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, produziram uma pequena matéria sobre a palestra, que pode ser acessada aqui.


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    Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h32
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    COMIGO

     

                        (Lídia Maria de Melo)

     

    Alguém estala os dedos

    diante de meus olhos parados,

    tentando me despertar.

    Que bobo! Não sabe.

    Estou olhando pra mim,

    como bem gosto de estar.

     

     


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    Categoria: Meus poemas, contos e fotos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 04h49
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    TRIBUTO A UM IMPRESCINDÍVEL: D. PAULO EVARISTO ARNS

     

    O jornalista Celso Lungaretti envia um texto sobre dom Paulo Evaristo Arns, personalidade de nossa história, a quem também me curvo, por admirar suas ações ao longo da ditadura militar e durante o exercício do sacerdócio. Com a autorização do autor, transcrevo aqui, do jeito que recebi.

     

    Autor: Celso Lungaretti

    "Há homens que lutam um dia, e são bons;
    há outros que lutam um ano, e são melhores;
    há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons.
    Porém há os que lutam toda a vida,
    esses são os imprescindíveis."
    (Bertolt Brecht, “Os Que Lutam”)

    A grande imprensa só destaca os personagens quando eles estão realizando coisas, completando décadas disso e daquilo ou morrendo. Vai daí que um homem como D. Paulo Evaristo Arns está há 10 anos longe dos holofotes e é quase desconhecido das novas gerações.Pior: alguns jovens formam seu conceito sobre ele a partir do que lêem nos textos repulsivos da propaganda neo-integralista, apontando-o como principal inspirador da política de direitos humanos “que só protege os bandidos”...Então, em vez de esperar que surja o que os jornalistas chamamos de  gancho, uma justificativa qualquer para falar de D. Paulo, vou fazê-lo unicamente porque se trata de um daqueles  imprescindíveis  a que se referiu Brecht. Neste Brasil da ganância e da competição que o capitalismo globalizado está engendrando, é fundamental evocarmos exemplos como este, até como antídoto. Cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, D. Paulo está com 87 anos, é um homem combalido e tem problemas de audição – decorrentes, esclarece, de ferimentos sofridos quando de uma tentativa de seqüestro num país latino-americano (pretendiam obter, em troca, a liberdade de um chefão do narcotráfico).A entrevista que fiz há algum tempo com D. Paulo permanece atual, daí eu estar reproduzindo aqui seus principais trechos Não quis privar os leitores da oportunidade de conhecer-lhe a história a partir de suas próprias palavras, que tive o privilégio de escutar numa ensolarada tarde de dia útil, no convento franciscano que fica ao lado da tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco. No final, apesar de sua dificuldade de locomoção, fez questão de percorrer comigo o longo caminho até o corredor. E se despediu com uma frase marcante: "Precisamos contar essas histórias [do que aconteceu neste país durante a ditadura militar] às novas gerações. É importante que elas saibam de tudo isso!''

    A missão do educador

    Muitos programas pioneiros, na linha da inserção social, foram introduzidos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) entre novembro/1970 e maio/1998, período em que, como arcebispo metropolitano de São Paulo, D. Paulo foi Grão Chanceler da instituição.Logo que se tornou o principal responsável pelos rumos dessa universidade, D. Paulo fez primeira visita ao Conselho da PUC. E disse: "Não quero uma escola de 2º grau melhorada. O que me interessa é que vocês façam uma pós que dê bons professores para todos os lugares do Brasil; e que todas as teses e tudo o que vocês discutirem além da escola se refira ao povo e ajude o povo. Que isso seja a norma daqui para a frente".Os resultados não tardaram, diz D. Paulo. "A Arquidiocese se organizou em pastorais diferentes – p. ex., a Operária, a da Terra, a do Trabalhador –, então eu consegui que a Faculdade de Direito se interessasse em ir, durante a semana ou no sábado, à periferia e ver como se poderia ajudar essa população e quais os problemas reais da periferia. A mesma coisa aconteceu com a assistência social, que, aliás, está trabalhando nessa linha até hoje, com métodos sempre novos e recebendo apoio da Europa e de outros lugares, com uma eficiência muito grande. "Hoje, essas iniciativas pioneiras da PUC/SP encontraram muitos seguidores e há um sem-número de empresas e instituições esforçando-se para dar uma contribuição positiva à sociedade''.

    Ofícios para vítimas da ditadura

    Os estudantes da USP me procuraram em 1973 quando um colega [Alexandre Vannucchi Leme] foi assassinado pelos órgãos de segurança. Os estudantes se reuniram, uns 10 mil, e mandarem representantes à minha casa, à noite, para que eu fosse lá falar aos alunos. Eu disse que era melhor reunir os estudantes, mas não dava para fazer no campus da universidade, porque ele estava cercado por policiais e oficiais do Exército."Então, decidi fazer na catedral. Eu disse: 'Na catedral, nós falamos o que queremos, e nós falaremos aos estudantes. Encham a catedral de estudantes e de povo, que nós diremos a verdade'. E foi o que eles fizeram. Às 15h, eu fui lá, fiz aquele ato solene em favor do estudante e celebrei a missa para o falecido. Fiz o sermão sobre o 'não matarás!', o mandamento central dos 10 mandamentos. Foi sobre isso que eu falei para eles, e eles participaram, vivamente, da missa e de toda manifestação religiosa posterior."Depois, em 75, foi a vez do Herzog; em 76, a do Manuel Fiel Filho; e em 79, a do Santo Dias, quando recebemos de 150 mil a 200 mil pessoas, que andaram desde a igreja de Nossa Sra. da Consolação. A multidão foi engrossando. Ao chegar na Catedral da Sé, não cabia nem na igreja nem na praça, então nós fizemos uma cerimônia mais curta, mas muito mais participada por todos os operários''.

    Missa de 7º dia de Vladimir Herzog

     Foi celebrada na Catedral da Sé, simultaneamente, por religiosos de três confissões: a católica (D. Paulo), a judaica (rabino Henry Sobel) e a protestante (reverendo James Wright)."Quando o Herzog foi assassinado – lembra D. Paulo –, em 1975, os jornalistas me pediram que houvesse um ato ecumênico na catedral. Os judeus fazendo o ato deles em hebraico, portanto, não na língua que compreendêssemos. Foi impressionante e muito bonito."[Modesto, D. Paulo evitou comentar que sua decisão foi um ato de enorme coragem. Primeiramente, porque a alta hierarquia católica não viu com simpatia sua iniciativa de oficiar missa ao lado de um rabino e de um reverendo. Depois, por ser um desafio frontal à ditadura militar, que o presidente Geisel engoliu, pedindo apenas a D. Paulo que segurasse seus radicais, ''enquanto eu seguro os meus''.

    Finalmente, por ter, em nome de ideal de justiça e solidariedade cristãs, corrido o risco da ocorrência de tumultos e mortes que teriam um peso devastador em sua consciência de religioso. Graças a ele, foi viabilizado o ato que acabou se tornando um divisor de águas: a partir dessa vitória sobre a intimidação, a ditadura começou sua lenta, mas irreversível, marcha para o fim.

    Invasão da PUC em 1977

    Eu estava em Roma quando o Erasmo Dias, então secretário da Segurança do estado de São Paulo, invadiu a PUC sem dizer ou ter motivo nenhum. Os estudantes estavam em exame e os policiais destruíram mais de 2 mil cópias de documentos, estragaram o refeitório, danificaram os instrumentos musicais e até derrubaram um professor no chão."Eu fui chamado às pressas de Roma e, na manhã seguinte, já dei uma declaração ao desembarcar no aeroporto, dizendo que 'na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo e não para destruir as coisas'. Depois, nós fizemos toda uma reação contra eles e toda uma manifestação junto aos estudantes.

    Eleição direta para reitor da PUC

    No início dos anos 80, nós queríamos nos opor ao regime totalitário que estava vigorando no Brasil e provar que funcionários, professores e alunos são igualmente capazes de escolher o diretor, o reitor ou o presidente da instituição. "Antes eu reunia o conselho de cada classe, para ter uma certa democracia entre os professores, e pedia que me indicassem o nome. Achei que era pouca democracia. Então, pedi à reitora e aos três vice para haver uma escolha entre todos os alunos, que eu aceitaria o resultado e mandaria para a aprovação de Roma." E Roma aprovou imediatamente. Então, foi a primeira eleição dentro de uma universidade pontifícia católica e, também, foi a primeira vez que se escolheu um reitor entre todos os funcionários, alunos e professores.

    Contratação de professores perseguidos

    O minstro da Justiça ordenou a expulsão de vários professores da Universidade de São Paulo. Então a reitora da PUC me telefonou perguntando se podia admiti-los entre nós. Eu disse: 'Não só pode como deve, porque são excelentes professores e patriotas'. "O Florestan Fernandes até escreveu um artigo me agradecendo. Ele ficou satisfeito porque pôde dirigir os estudantes da pós-graduação na PUC da maneira mais livre possível. "Quanto ao Paulo Freire, eu fui a Genebra para convencê-lo a voltar ao Brasil, depois de 10 anos de exílio. Garanti que eu iria cuidar da chegada dele aqui. E mandei toda a nossa Comissão de Justiça e Paz, que eram mais de 40 pessoas, junto com amigos, para recebê-lo em Campinas."De fato a polícia o prendeu, mas, depois de duas horas de interrogatório, eles viram que todos estavam contra eles e soltaram o Paulo Freire, que ficou conosco, com uma grande amizade comigo, até o momento da sua partida."

    Convicções e esperanças – Sobre o Governo Lula, antes mesmo da crise do mensalão, D. Paulo já mostrava uma ponta de apreensão, ao se dizer esperançoso de que “o Brasil não perca esta ocasião e não afunde o barco em vez de conduzi-lo a uma margem da terra onde haja outra terra e outro céu, como diria a Sagrada Escritura; onde haja outra possibilidade de sonhar e outra possibilidade de viver com dignidade, mas para todas as pessoas e não só para uma parte".E, inquirido sobre o menor engajamento atual da Igreja às causas sociais, ele finalizou com uma mensagem de esperança: "A Igreja é o povo. Se o povo se mobiliza bem, a Igreja também se mobiliza. Então, é preciso unir esses dois conceitos, o povo de Deus e o povo, simplesmente. Nós precisamos caminhar para a fraternidade, para uma possibilidade de todos serem respeitados como filhos de Deus e irmãos uns dos outros".Não há como retratar a grandeza de um D. Paulo Evaristo Arns numa única entrevista. Faltou dizer, p. ex., que ele criou a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo e foi o grande artífice do projeto Brasil: Nunca Mais (livro-levantamento dos casos de violações de direitos humanos durante o regime militar), integrando também o movimento Tortura Nunca Mais, dele decorrente.O principal, no entanto, é que suas gestões junto às autoridades salvaram a vida e evitaram a tortura de resistentes, no pior momento da ditadura. Fiel ao espírito da igreja das catacumbas, foi o pastor que tudo fez para que seu rebanho sobrevivesse a um tempo de lobos. Um imprescindível.

    Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/



    Categoria: Ditadura militar
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 13h29
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    Aniversário de Meu Pai

     

    Se meu pai estivesse vivo, teria completado, ontem, 79 anos de existência. Eu teria lhe dado um presente e um beijo, como passei a fazer depois que superamos os maus tempos, depois que aprendi a compreendê-lo. Teríamos conversado sobre a política brasileira, sobre histórias, mandos e desmandos deste País.

    A última vez que vi meu pai com vida, em 20 de dezembro de 1999, ele gemia num leito de UTI, mas sua lucidez não arredava pé. Num desabafo, ele confidenciou que talvez não suportasse aquele ''batente''. Queria me ver na manhã seguinte, para conversarmos a sós. Não tivemos mais tempo. O telefone tocou na madrugada, anunciando sua partida.

    Só voltei a vê-lo inerte, no caixão, horas mais tarde. A boca lacrada por esparadrapo, para que não se abrisse. Parecia uma ironia. Um jeito censor de impedi-lo de se manifestar (Se acaso morto falasse. Mas do jeito que ele era, não me surpreenderia se saísse dando opiniões e fazendo piadas daquela situação). Cinco anos depois, foi exumado e os ossos transferidos em um saco plástico preto para o ossuário da família, na própria sepultura.

    Nas minhas lembranças, nas imagens das fotografias, ele está lá, inteiro, de boina cinza alemã (presente de minha irmã), falante, crítico,  humanitário e socialista (no melhor sentido dessa palavra tão desgastada e sem sentido nos dias atuais), com sua inteligência aguda e perspicaz, com seu pensamento ágil e a sensibilidade que fazia os olhos marejarem com freqüência. Ele está lá com sua agudeza de raciocínio, que eu nunca mais encontrei em ninguém. Está lá com seu jeito, insuportavelmente, raro, tal o seu próprio nome, que ele pronunciava com orgulho: Iradil Santos Mello. Parecia uma marca. Parecia, não. Era.


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.  



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h16
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    Coisas Que Eu Sei - Danni Carlos



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h11
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