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Meu feriado particular!
. Fotos Lídia Maria de Melo

Sempre digo que dia de aniversário é feriado nacional. Hoje é meu feriado! Nunca penso que estou ficando mais velha. Sempre acho que estou mais viva. Talvez seja porque aos 18 anos a morte tenha me rodeado e, por muito tempo, eu tenha enfrentado uma doença considerada incurável. Até hoje a medicina não admite a possibilidade de cura, mas faz tempo que me livrei dela, dos remédios e dos sintomas.
Cheguei há pouco da comemoração das bodas de ouro de meus tios. Lá mesmo eles puxaram os cumprimentos pelo meu dia. Eles nunca se esquecem da data em que vim ao mundo, justamente porque se casaram em um dia vizinho. Deles jamais poderia esconder minha idade. Eles sabem exatamente quantos anos completo ao final de cada doze meses. Ainda bem que não me importo com isso, apesar de toda minha vaidade.
Como ainda não me bateu o sono, aproveitei para entrar no orkut. Recebi várias mensagens de amigos. Todas me deixaram feliz e agradeço por elas. Mas, mesmo sem a autorização do autor, vou transcrever uma que me causa especial sentimento. Foi escrita e enviada por Dirceu Cateck, um amigo que está longe e não vejo há muito tempo, mas que conheço desde que ele era criança e me faz acreditar que muitas coisas na vida valem a pena.
''Cada segundo de vida é precioso. Confesso que, antes, dava mais importância para as datas, tinha todas elas (as mais importantes) guardadas na minha memória. As datas, muitas vezes, são usadas por mim como referências, para iniciar e terminar etapas. Começar e recomeçar, utilizo como parâmetros do tempo, às vezes até esqueço delas. Existem datas que não podem ser esquecidas, são importantes e, por si mesmas, estão presentes. Não se deixam esquecer, cair no olvido. Essa data, a do seu aniversário, considero importante, porque considero importante todos os aniversários das pessoas que são, para mim, importantes. Por isso, tenho ela aqui registrada, nesta minha cabeça que transborda pensamentos, pensamentos que voam mais rápido que a própria velocidade da luz, deixando sem querer, às vezes, coisas importantes para trás. Mas, no dia de hoje, dou um "pause" em toda essa correria, venho aqui correndo, cansado, para te dizer que fico feliz por ter a oportunidade de te desejar um feliz aniversário.
Gostaria de poder te dar um abraço e te parabenizar pessoalmente. Mas, embora a geografia não me favoreça, aproveito para, através da tecnologia, fazê-lo. Mesmo que os anos tenham passado e que milhares de quilômetros estejam separando este abraço, quero que saiba que faço votos de muita saúde, paz e tranquilidade, que essa energia você sinta. É verdadeira! Um beijo muito grande e feliz aniversário. Aproveite o dia!''
Obrigada, Dirceu, você é um escritor.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998
Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 04h24
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Golpe Militar de 1964 - Entrevista
Ouça entrevistas sobre o golpe militar de 1964 e o navio Raul Soares. A gravação foi realizada pela estudante Rosângela Augusto, do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Santos, em maio de 2004, após a palestra que ministrei nas dependências do Sesc/Santos, marcando a abertura da exposição dos arquivos do Dops. Clique aqui.
Veja a lista completa de vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, desde que foi criado. Sou um deles. Clique aqui.
Categoria: Ditadura militar
Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h32
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Dona Maria e João Pedro
No início da semana passada, foi a vez de Lourenço Diaféria, aos 75 anos. No final, dona Maria partiu, com seus quase 90. Ontem, João Pedro deixou de sofrer, aos 12.
Como meus avós paternos e maternos morreram cedo e não os conheci, dona Maria foi a idéia mais próxima de avó que eu formei. Não tínhamos laços sangüíneos, porque era mãe de meu tio por consideração (marido de minha tia). De fato, era avó paterna de meus primos maternos. Ela também experimentava esse sentimento de adoção. Sempre tratou a mim e a minhas irmãs com tamanho carinho! Talvez porque nos conhecesse desde o nascimento e tenha convivido conosco durante a infância e parte de toda a nossa vida. Ultimamente nos víamos pouco, porque ela vivia com a família de um filho em uma cidade vizinha. Mas, quando nos encontrava, sempre nos chamava de ''meninas'' e fazia questão de nos afagar delicadamente com um beijo no rosto e um sorriso. Não falávamos muito, mas esse afeto se manifestava em gestos. Não tenho fotos de dona Maria, mas suas feições, que vejo estampadas no rosto de meu tio e no de uma priminha, sua bisneta, sempre estarão gravadas em minha memória.
Já o menino João Pedro, tenho certeza de que foi se encontrar com a mãe, morta precocemente há três anos, de câncer, desenvolvido devido à tristeza de tanto vê-lo sofrer. Ele é uma dessas pessoas que vêm ao mundo apenas para ensinar. Mesmo com todas as privações e dores, causadas pela doença epidermólise bolhosa distrófico-recessiva, ele ainda soube dar esperanças e ser forte. Tornou-se um espírito de luz.
Que sigam em paz!
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Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h06
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PARA SEMPRE LOURENÇO DIAFÉRIA
Noite de 16 de setembro de 2008. Lourenço Diaféria morre aos 75 anos em sua casa, em São Paulo. O coração parou de bater. Quando li, na manhã de ontem, me emocionei. Há uma grande coincidência nessa data.
Diaféria, escritor, jornalista, cronista, fez parte de minha vida, mesmo sem saber. Nunca o conheci pessoalmente, mas não perdia uma crônica dele, que era publicada em duas colunas, de alto a baixo, na última página da Folha Ilustrada, caderno da Folha de S. Paulo. Nessa época, eu ainda iniciava a Faculdade de Letras e não sabia nem quando nem se iria fazer a de Jornalismo. Eu era pouco mais que uma adolescente. Tinha 19 anos.
É meu segundo cronista favorito. O primeiro da lista é Rubem Braga, cujos textos eu leio desde o segundo ano do antigo curso primário. Ou seja, desde que tinha 7 anos. Já escrevi sobre isto aqui neste blog.
Um dia, quando eu retornava da escola em que lecionava na Base Aérea de Santos, no Distrito de Vicente de Carvalho (Guarujá), depois de caminhar cerca de 2 Km até o ponto do ônibus que me levaria ao Monte Cabrão, bairro de Santos encravado na Rodovia Piaçaguera/Guarujá (atualmente Cônego Domênico Rangoni), parei numa banca de jornais. Enquanto o ônibus me transportava à escola estadual isolada, onde eu dava aulas à tarde, eu leria a crônica do Diaféria, como de costume. Só que a Folha de S. Paulo havia acabado. Só pude comprar a Folha da Tarde e ler a coluna do Plínio Marcos, que tinha um estilo muito diferente do de Diaféria. Era 1° de setembro de 1977.
Quinze dias depois, em 16 de setembro, o lugar de sua coluna estava em branco, com seu nome no alto. No pé, havia uma Nota da Redação, informando: "A crônica diária de Lourenço Diaféria deixa de ser publicada em virtude de o cronista ter sido detido às 17h de ontem pela Polícia Federal conforme noticiamos na Primeira Página".
Diaféria fora preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional devido à crônica ''Herói. Morto. Nós.'', publicada no dia 1° e considerada pelo Exército ofensiva ao seu patrono, o Duque de Caxias. Esse episódio deu origem ''à mais grave crise que a Folha viveria com o regime militar (1964-85)''. Só naquele momento eu entendi que, no dia 1° de setembro, quando não encontrei a Folha na banca, eu deixara de testemunhar um momento histórico.
Diaféria demorou a voltar a publicar naquele espaço da Folha. Outros escritores se alternavam no lugar: Carlos Drummond de Andrade, Flávio Rangel... Gostava desse último, mas não apreciava as crônicas de Drummond. Até hoje prefiro os poemas dele à prosa. Quando Diaféria retornou, não abordava mais os assuntos que me faziam devorar seus textos. Tinha pisado no freio por causa da censura ao jornal, das ameças de fechamento. Acabou saindo de lá. Ficou um período na TV Globo, em um dos jornais, mas seu estilo era para o jornal impresso e não, para televisão. Só fui ler a crônica que motivou sua prisão anos depois.
A notícia de sua morte foi publicada em todos os sites, em inúmeros blogs, em jornais, revistas e TV. Estou escrevendo até com certo atraso. Só que percebi uma coincidência. Lourenço Diaféria morreu em 16 de setembro, a mesma data, 31 anos depois, em que a Folha de S. Paulo noticiou sua prisão, ocorrida no dia anterior (15 de setembro de 1977). Quem pesquisar a história desse importante jornal do País sempre encontrará o nome desse cronista, escritor e jornalista, que sabia escrever, porque colocava nessa tarefa o coração.
Sinto-me privilegiada por ter tido a chance de ser sua leitora. (Leia mais aqui e ainda aqui).
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Categoria: Ditadura militar
Escrito por Lídia Maria de Melo às 02h41
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Os males da intimidade
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A intimidade costuma prejudicar os relacionamentos, ao mesmo tempo que os pode consolidar. Isso parece consenso. Mas tenho uma teoria sobre uma das principais causas desses danos do cotidiano. Existem inúmeros motivos capazes de azedar um relacionamento (seja de que tipo for), mas a falta de gentileza é uma delas. Por intimidade, as pessoas deixam de pedir licença, de agradecer, de cumprimentar, de pedir desculpas... e passam a ser ríspidas, indelicadas, mal-educadas até. Com pessoas estranhas, são usados os bons modos, as melhores louças, as roupas mais elegantes, o sorriso, a simpatia... Para os íntimos, sobra o que se esconde das visitas. Nunca me conformei com esse tipo de conduta, que parece generalizada. Então, proponho que todo mundo se comporte como estranho. Assim, talvez as relações se purifiquem.
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Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h24
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Poeta ou prosadora? O que me disse Loyola
Outro dia, um amigo me perguntou se eu me sentia mais poeta ou mais prosadora. Não respondi de imediato e ele avisou que não aceitava resposta evasiva. Queria uma definição. Mas não é tão simples assim. Faço prosa, faço verso. O momento é que impõe o rumo do meu traçado. E a poesia pode se infiltrar mesmo num texto em prosa.
Em 1989, nos dias 3, 4, 10 e 11 de outubro, participei de uma oficina literária ministrada pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão. Saía do jornal e ia direto para o Sesc, que já funcionava na Aparecida. (Para quem não sabe, antes da inauguração da sede atual, o Sesc/Santos funcionava na Avenida Conselheiro Nébias, 309, junto com o Senac. Foi lá que aprendi a tocar violão com Paulo Sérgio Damasceno).
Loyola só trabalhou com a elaboração de textos em prosa, naturalmente. Eu aproveitei bastante a experiência, mas não produzi nenhum material de valor. Preciso estar sozinha, ou espiritualmente isolada, para criar um texto literário. Aproveitei para mostrar a ele os originais do meu, na época, futuro livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', que seria lançado em 1995. Ele levou para casa e, na semana seguinte, fez bom comentário. Depois, dei a ele uns poemas meus. A oficina chegou ao fim, mas ele não comentou.
Um ano depois, isto é, em 13 de outubro de 1990, ele me enviou um comentário pelos Correios, junto com os meus poemas. Até me surpreendi. Disse o seguinte, num papel timbrado da editora Global: ''Lídia, você já devia estar desanimada pensando: perdi meus poemas. E aqui estão. Não sei analisar poesia. Só posso te dizer: gosto, não gosto. Pelo que me toca. Gosto: ''Falando em Mim'', ''Entrega'', ''Filho de Um Estupro'', ''Destino'', ''Mosaico''. Me passaram sensações, comoveram, mexeram. Acho que você é mais poeta que prosadora. Beijo amigo, Loyola. 13.10.90''. (Veja reprodução)
A carta está guardada no mesmo envelope grande e branco, com o logotipo vermelho da livraria Ghignone, de Curitiba e Londrina. A opinião dele mostra como não é possível responder à pergunta de meu amigo, sem pestanejar. Naquela época, eu já tinha escrito um livro em prosa, que ainda era inédito e incluía alguns poemas, como o citado ''Filho de Um Estupro''. Os poemas também fluíam com mais naturalidade e inspiração.
Tempos depois, além de publicar o ''Raul Soares'', recebi prêmios por contos. Atualmente, escrevo mais contos e finalizo um romance, mas a poesia rodeia sempre. Ou seja, me considero uma escritora (ainda pouco conhecida), mas uma escritora, que tem, parafraseando Cecília Meireles, ''fases como a lua''. Antes, em um um mesmo concurso, fiquei em primeiro lugar na categoria conto e na de poesia. Sou isto, isso, aquilo e mais um pouco, depende da maré.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998
Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h38
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Dois Córregos
Acabei de assistir a Dois Córregos _ Verdades Submersas no Tempo, filme escrito e dirigido por Carlos Reichenbach. Foi lançado em 1999. Só encontrei em VHS.
No elenco, Carlos Alberto Riccelli, Ingra Liberato, Beth Goulart, Vanessa Goulart e Luciana Brasil.
Curiosamente, há uma personagem chamada Lídia, que tem uma irmã Lúcia. Só que são filhas de um general linha-dura, cujo nome é sinônimo de terror e tortura no período mais cruel da ditadura militar.
É um filme poético, com bela fotografia e bem musicado por Ivan Lins. Se eu não estivesse com preguiça de escrever, comentaria mais. Mas tenho que dizer que é um filme de grife. Tem uma estética que reflete uma sensibilidade intensa do autor. É um filme de autor. Não conheço outros filmes de Reichenbach, mas, por Dois Córregos, suponho que seja um humanista. Gostei. Quer assistir a uma entrevista do diretor e a uma cena linda do filme? Clique aqui e veja (é do futuro jornalista, escritor e blogueiro Ricardo Prado).
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Categoria: Meus artigos
Escrito por Lídia Maria de Melo às 01h16
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Soneto do poeta barroco baiano Gregório de Matos, alcunhado de Boca do Inferno
BUSCANDO A CRISTO
A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados De tanto sangue e lágrimas abertos, Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me, A vós, sangue vertido, para ungir-me, A vós, cabeça baixa p ‘ra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me, A vós, cravos preciosos, quero atar-me, Para ficar unido, atado e firme.
Categoria: Língua Portuguesa e Literatura
Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h15
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Rivaldo Perez
Hoje, contribuí com o Wikipédia. Aliás, não é a primeira vez. Já fiz algumas correções. Mas, agora, incluí um verbete. O de Rivaldo Perez. Acho que ninguém se lembra dele. Mas eu me lembro. Era um ator santista que interpretou o índio Apingorá na telenovela A Muralha, encenada em 1968 na TV Excelsior. Também fez Sangue do Meu Sangue, no ano seguinte.
Eu era criança (tinha 10 anos) e me recordo dele, em A Muralha, levando uma chicotada da personagem vivida pela atriz Nathália Timberg. Nessa novela, atuava também o Stênio Garcia, como o índio Aimbé.
Um dia, na escola, descobri que a irmã dele estudava lá. Tanto fiz que pedi a ela um autógrafo do irmão. Ela me arranjou. Depois, ficamos amigas. Só que ela era cinco anos mais velha que eu. Já era uma adolescente, muito alta e bonita, que queria ser modelo. Como eu era meio precoce, passei de ano e ela repetiu. Ficamos na mesma classe e nossa amizade durou anos.
Às vezes, eu ia para a casa dela e ficava toda feliz se o Rivaldo chegava. Quando eu estava com 13 anos, ele já devia ter uns 27. Ele, percebendo meu deslumbramento, costumava fazer brincadeira comigo e me chamava de Ilídia. Ele tinha outro irmão, Reginaldo, que era modelo. Ambos participaram do filme Betão Ronca Ferro, de Mazzaropi, em 1970.
Depois que mudei de escola, aos 14 anos, não demorou muito para a irmã dele se casar, aos 19. Acabamos nos afastando. Fui ver de novo o Rivaldo uns 15 anos mais tarde. Ele estava com a namorada, e eu, com meu namorado. Uns amigos nos apresentaram. Eu o reconheci, mas acho que ele não se lembrou de mim. Era natural, quando ele me conheceu, eu era uma criança. Deveria ter dito a ele quem eu era. Ele se lembraria, mas não falei.
Algum tempo depois, soube que ele morreu. Ainda era novo. Devia ter cerca de 45 anos. Não soube a causa da morte, mas lamentei. Sempre que passo em frente à casa deles, na Avenida Conselheiro Nébias, 417, hoje transformada em ponto comercial, me lembro do tempo em que convivi com a família Perez e sinto saudades. Além dele e dos pais, uma outra irmã morreu. A que era minha amiga nunca mais vi. Mudou de cidade. Duas músicas me fazem lembrar daquele tempo, sempre que as ouço: 40ª Sinfonia, de Mozart, e Construção, de Chico Buarque.
Agora, lembrei-me do Rivaldo, porque fui fazer uma busca no Google e encontrei a telenovela Sangue do Meu Sangue, com o nome dele no elenco. Cliquei e o link era do Wikipédia, mas não havia um verbete sobre ele. Resolvi fazer. Foi o jeito de homenageá-lo. As pessoas que passam por nossa vida sempre deixam uma marca.
O texto ficou assim:
Rivaldo Perez
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ator santista, já falecido, que fez a novela A Muralha, em 1968, na TV Excelsior, interpretando o índio Apingorá, e Sangue do Meu Sangue, em 1969, como o personagem Rivaldo. Atuou ainda no filme de Mazzaropi Betão Ronca Ferro, ao lado de seu irmão Reginaldo Peres e grande elenco, em 1970.
Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998
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Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h16
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