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BRASIL, Mulher, Música, Livros, Filmes, Jornalista, Professora, Escritora. E-mail: limarmello@bol.com.br



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     Minha reportagem: Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós faz parte do acervo da Library of Congress (Biblioteca do Congresso Norte-Americano)
     Meu livro Raul Soares, Um Navio tatuado em Nós (registro na Biblioteca Nacional)
      Raul Soares - pronunciamento na Assembléia Legislativa em 2003
     Reportagem de Laire J Giraud que menciona meu nome e de meu pai
     Artigo sobre o golpe de 1964 (Laire José Giraud)
     Minha reportagem: Zuleika Alambert, a primeira deputada santista (site Novo Milênio, reprodução de A Tribuna)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (A Tribuna)
     Minha reportagem: O juridiquês no banco dos réus (site da Associação dos Magistrados Brasileiros, reprodução de A Tribuna)
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    Blog da Lídia Maria de Melo
     


    Dia do Saci

     

    Ih, ih, ih, ih,

    Hoje é Dia do Saci! 

    Nada contra as bruxas, mas elas já receberam o visto de permanência definitiva no imaginário popular brasileiro. Então, vamos dar espaço também ao Saci, cidadão mais do que nacional.

    ''Yo no creo en las brujas, pero que las hay hay''. Os sacis também.



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 14h06
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    Santos e o Tejo

     

                                               (Fotos e poema de Lídia Maria de Melo) 

    Quem é de Santos tem história.

    Nasce com os pés na água salgada do Atlântico.

    Ouve das ondas uma contínua canção de ninar

    e é acalentado por marolas.

    Quem nasce em Santos recebe de herança um porto. 

    O maior da América Latina.

    Já chega ao mundo com um time de futebol

    de fama internacional

    e se habitua a sua tradição real, 

    mesmo que um dia o troque por outro.

    Quem vem ao mundo na terra do maior jardim à beira-mar

    cresce conhecendo navios, barcas, catraias, lanchas, balsas,

    trens, trólebus, ônibus,

    aviões, helicópteros, asa-delta,

    rebocador, guindaste, bonde e bicicleta, 

    mas aprende a caminhar na areia ou no calçadão.

    Quem nasce em Santos se irrita com o noroeste,

    o vento que faz bater ao contrário portas e janelas 

    e nos põe nervosos até que ares do sul nos socorram, 

    reduzindo a temperatura e fazendo chover.

    Quem é de Santos já se acostumou a ter o mar

    e nele nem sempre poder se banhar

    por causa da chuva constante. 

    E compreende quando algum forasteiro,

    desacostumado a essa umidade excessiva,

    a ofende com o apelido de ''penico do mundo''.  

    Quem é de Santos não precisa de bússola,

    se direciona pelos canais,

    iluminada idéia de Saturnino de Brito para nos salvar.

    Quem nasce nesta terra

    nutre por ela um sentimento de orgulho e lealdade.

    Não admite que dela falem mal.

    Quem é de Santos tem marca registrada na fala,

    emprega com os íntimos o pronome ''tu''

    e põe o verbo na terceira pessoa do singular.

    Quem é de  Santos tem um lado Fernando Pessoa (*). 

    Reconhece a beleza do Tejo, mas prefere o rio de sua aldeia. 

    ...................................................................................

    !*  O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia)


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998  



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h45
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    Perguntar Não Ofende

     

    Não se trata de crucificar o Gate pelo desfecho trágico do episódio em Santo André. Mas, além das perguntas que já foram feitas, cabe mais uma indagação: teria o conflito entre as polícias Civil e Militar, na quinta-feira, interferido na ação desastrosa de sexta-feira?

    Aparentemente, pode parecer absurdo, mas a imagem da Secretaria de Segurança Pública ficou na berlinda. Consequentemente, o Governo do Estado se sentiu prejudicado. Também na quinta-feira, os policiais do Gate permitiram que uma refém já libertada, uma adolescente de 15 anos, retornasse ao apartamento/cativeiro. A decisão foi extremamente criticada. Para o Governo do Estado, outro ponto negativo.

    A edição de sexta-feira do Jornal da Tarde, por exemplo, estampou em sua primeira página os seguintes títulos, ao lado de duas fotos: ''Polícia em choque'' (numa alusão ao confronto das polícias) e ''Polícia em xeque'' (referindo-se ao episódio de Santo André). O Governo certamente não gostou.

    Teria essa tensão provocado alguma ordem superior para que o sequestro fosse encerrado até às 18 horas de sexta-feira?

    Perguntar não ofende!

     

    PS1.: Eloá Cristina Pimentel teve morte cerebral decretada às 23h30 deste sábado (18.10.2008)

    PS2.: Leia texto que escrevi no site A Tribuna On-line em 17.10.08 (''Quem salvará Eloá e Nayara'')



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 00h08
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    Seqüestro

     

    A resposta a minha própria pergunta, exposta no comentário que escrevi no site do jornal A Tribuna On-line, e que reproduzi no post anterior, é: ''ninguém conseguiu salvar Eloá e Nayara''.

    Depois de 100 horas, o seqüestro praticado por Lindemberg Fernandes Alves terminou em tragédia em Santo André. Eloá está entre a vida e a morte numa unidade de terapia intensiva, depois de ter sido baleada na cabeça e na virilha. Nayara, sua amiga, também se encontra hospitalizada, porque recebeu um tiro na boca.

    A polícia diz ter feito o possível para que o desfecho fosse outro. Mas as trapalhadas ficaram evidentes com a permissão de que a adolescente Nayara, depois de libertada pelo sequestrador, retornasse ao apartamento que servia de cativeiro. E não pararam depois do trágico fim. Pouco tempo depois, o Palácio do Governo e a Secretaria de Segurança Pública anunciaram a morte de Eloá, quando, na verdade, a menina recebia socorros intensivos e era encaminhada à mesa de cirurgia.

    Ou seja, houve uma sucessão de erros, que ainda precisam ser explicados.  


    Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998   



    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 03h46
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    Quem salvará Eloá e Nayara?

    Reproduzo abaixo o comentário que escrevi para o site de A Tribuna On-Line sobre o sequestro em Santo André, que começou na segunda-feira e continua ainda hoje.

     

     

    Quem salvará Eloá e Nayara?

     

    Lídia Maria de Melo

    Editora de Local de  A Tribuna

     

    A estudante Eloá tem 15 anos. Está na adolescência, segundo parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). O trabalhador Lindemberg Fernandes Alves já chegou aos 22. É considerado um jovem adulto. Psicologicamente, apenas um profissional especializado poderia estabelecer em que fase do desenvolvimento humano cada um deles se encontra. Pelas atitudes, no entanto, o ex-namorado de Eloá demonstra falta de equilíbrio emocional e dificuldades para lidar com frustrações, como o fim do relacionamento dos dois. Age como um adolescente e apela para ações vistas com frequência em filmes, telenovelas, enfim, na ficção.

     

    Na tarde de segunda-feira, Lindemberg armou-se com um revólver, invadiu o apartamento da garota e a fez refém, junto com outra adolescente e um rapaz. A Polícia Militar, por intermédio do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), assumiu o controle das negociações. O sequestro passou a ser transmitido pelas emissoras de televisão, de Santo André para todo o País.

     

    Após algumas horas, o rapaz sequestrado foi libertado. Na manhã seguinte, foi a vez da amiga de Eloá, a estudante Nayara, de 15 anos também.

     

    A vizinhança descreve Lindemberg como uma boa pessoa, incapaz de fazer mal a alguém. Mas a Polícia o vê como um elemento perigoso, que mantém vítimas sob a mira de um revólver. Justamente por essa avaliação e por todas as atitudes do sequestrador é que causa surpresa a decisão da Polícia de ceder às suas exigências e de permitir que a adolescente Nayara retornasse ao apartamento e voltasse a ser refém.

     

    O que parece é que as negociações retrocederam e Lindemberg tornou-se o senhor da situação.

     

    Pelo tempo que o sequestro se arrasta e para evitar um desfecho trágico, não seria hora de haver uma intervenção de profissionais mais especializados? Ou será que as autoridades só se sensibilizam quando pessoas famosas estão envolvidas? Em 2001, o então governador Geraldo Alckmin negociou pessoalmente com o sequestrador Fernando Dutra Pinto, para que ele libertasse o apresentador Sílvio Santos, refém em sua própria casa. No caso de Santo André, quem vai salvar Eloá e Nayara das mãos de Lindemberg?

     

    Publicado em A Tribuna Online em 17 / 10 / 2008, 08:35

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    Escrito por Lídia Maria de Melo às 12h47
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    Nossa Senhora Aparecida e Maria Luzia

     

    Neste domingo foi dia de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. O trabalho no fim de semana me tirou a concentração da fé. Só fui me lembrar da santa quase dez horas da noite, quando editei uma matéria e umas fotos sobre a procissão realizada na paróquia do bairro Aparecida. Isso não me impediu de pedir proteção para mim e minha família.

    Quando eu era jovenzinha, achava extremamente brega e piegas chamar por Nossa Senhora Aparecida nas horas de aflição, como as pessoas têm hábito de fazer. Coisas de adolescente! Aos 15, fiquei doente e, aos 18, quase morri. Minha mãe se empenhou em promessas. Fui obrigada a visitar o templo da Padroeira, em Aparecida, em um 12 de outubro, e deixar lá um foto de minha formatura da Escola Normal. Participei de uma missa cheia de tropeiros que acenavam chapéus, naquela catedral lotada. Em vez de me concentrar nos agradecimentos por minha vida, fiquei impaciente.

    No ano seguinte, uma aluna minha, chamada Wanderléia, trouxe de Aparecida e me deu de presente uma imagem da santa. Era de material plástico azul e dourado e em nada lembrava as esculturas estilizadas que hoje são vendidas em lojas especializadas em artigos religiosos. A imagem era um símbolo kit, mas, no instante em que a menina me entregou, tive uma reação física. Um arrepio percorreu meu corpo como se tivesse havido uma conversão. Para os incrédulos, essa descrição beira a pieguice, mas foi o que ocorreu. A partir de então, passei a rezar para Nossa Senhora Aparecida e não mais sentir vergonha de ter fé.

    Outros anos se passaram e eu parei de tomar remédios e de sentir os sintomas da doença considerada incurável. Minha mãe tem certeza de que foi milagre. Eu não gosto de afirmar com essa categoria, porque parece que estou sendo charlatã e negando outros fatores, como a ação dos remédios e a minha força interior. Mas como a medicina não admite cura, mesmo depois de 15 anos da extinção da doença, sou obrigada a dar razão a minha mãe: acho que fiquei boa por intervenção de Nossa Senhora Aparecida e do Senhor do Bonfim, outro santo a quem ela apelou e pagou promessa.

    Hoje, agradeço por mim, peço por minha família e rogo por aquela criança de 8 anos que reportagem do Jornal Hoje mostrou na sexta-feira. Maria Luzia é o nome da menininha pernambucana que come barro para não morrer de fome. O nome dela rima com poesia, com alegria, mas não com sua realidade. Apesar da vida miserável que leva, Maria Luzia sorri e demonstra rara inteligência. Quando ela diz que sente uma dor, sempre que procura o que comer e não encontra, a repórter lhe pergunta que tipo de dor é aquela. Com sensibilidade poética, a menina responde: ''É dor de lágrima no coração. É dor de tristeza'' .

    Maria Luzia vive no agreste, a 40 Km de Recife. Tomara que Nossa Senhora ilumine os dirigentes daquele estado, para que desenvolvam ações capazes de tirar o povo dessa situação, sob todos os aspectos, lastimável.


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    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 05h10
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    E se fosse comigo?

    ...

          (Foto de Lídia Maria de Melo)

     Numa madrugada da semana passada, avistei uma bicicleta presa a um poste de iluminação por uma corrente com cadeado. Estava numa esquina. Chovia torrencialmente e, naquela área, não havia ninguém na rua além de mim. Por sorte, estava protegida pela couraça de meu automóvel com vidro filmado. (Não sei por que a gente tem essa ilusão de que o vidro escurecido nos põe a salvo!)

    Por onde andaria o dono daquela bicicleta? O que o teria feito abandonar seu veículo naquela calçada? Teria sido a chuva? Ou será que algo de ruim tinha acontecido? Não sei por que me preocupar com uma pessoa que não conheço nem de vista!

    Sou assim. E não foi curiosidade o que senti. Foi preocupação mesmo. Como deve ser triste esperar por alguém em casa e esse alguém não chegar e nem dar notícias!

    Numa manhã, no final da década de 90, eu andava na praia e testemunhei a morte repentina de um atleta. Ventava muito e estava nublado. A areia fina se impregnava aflitivamente entre os dentes. A praia era um deserto. 

    Desci à faixa de areia na altura do Canal 3, na fronteira do Gonzaga com o Boqueirão. Podia contar as pessoas que caminhavam ou corriam no sentido José Menino/Ponta da Praia. Se havia dez pessoas em toda a extensão da praia era muito. Decidi ir também no sentido Ponta da Praia, apesar do vento contrário, que fazia meus olhos lacrimejarem. 

    Poucos minutos depois, olhei para trás, em direção ao José Menino, e avistei um pequeno círculo de pessoas. Percebi que algo acabara de acontecer. Voltei. E, antes que eu alcançasse o local, uma viatura do Corpo de Bombeiros chegou. Dois bombeiros desceram, observaram e apanharam um pano branco. Testemunhei quando cobriram o corpo de um homem que vestia shorts de atleta, tinha pernas musculosas e calçava tênis. Era alguém que estava correndo e de repente caiu sem vida na areia. Pela musculatura, dava para saber que se tratava de um esportista. Pedi para ver seu rosto. Poderia conhecê-lo. E isso seria importante, porque ele não portava documentos. Não reconheci suas fisionomias, mas identifiquei o boné. Era um atleta de Cristo.

    Corri até um orelhão (para quem não se lembra, telefone público) e disquei a cobrar para casa. Pedi a minha irmã, uma triatleta, que telefonasse ao casal que coordenava um grupo intitulado Equipe 100. Marido e mulher eram pedestrianistas e tinham o cadastro de inúmeros corredores da Cidade. Com sorte, eles poderiam identificá-lo e, quem sabe, avisar a família. Estava aflita com a possibilidade de que alguém o estivesse esperando em casa, já que ele só carregava uma chave.

    Avisado, o casal compareceu à praia, assim como minha irmã. O atleta tinha 35 anos e era um maratonista que havia acabado de participar de uma competição em Santa Catarina. Viúvo, morava com a mãe e a única filha de 9 anos. A menina estava em casa, com coleguinhas de escola, aguardando que o pai retornasse, para ajudá-los em um trabalho de escola. Foi muito difícil dar a notícia para a família.

    Na verdade, foi feito o contato com uma vizinha que providenciou o telefone da irmã casada do rapaz, para que ela avisasse a mãe e a sobrinha. Ao mesmo tempo, nos plantamos na porta do prédio, para não deixar que outras crianças, colegas de classe da filha do atleta, entrassem. Não haveria mais trabalho. Pelo menos naquele dia. 

    Não me lembro do nome completo dele, mas sei que o prenome era Ubiratan. Quando pisei a areia da praia naquele dia, ele ainda devia estar correndo em direção ao bairro em que morava. Minutos depois, ele jazia inerte. Mesmo sem poder tê-lo ajudado naquela hora final, senti um alívio por estar ali e ter tomado a iniciativa de procurar alguém que pudesse identificá-lo. Consegui evitar que ele fosse levado ao Instituto Médico Legal como indigente e que a família tivesse que peregrinar até obter alguma informação sobre seu paradeiro. Naturalmente, isso levaria horas ou até dias.

    Fiz por ele e por sua família apenas o que eu gostaria que fizessem por mim e pelos meus.

    Quando a gente se põe no lugar do outro, dá para sentir sua dor. Essa identificação nos faz tomar iniciativas.


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    Categoria: Meus artigos
    Escrito por Lídia Maria de Melo às 23h02
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