DEPOIS
Adoro o poeta gaúcho Mário Quintana.
Em 20 de maio de 2006, publiquei aqui
neste blog o poema ''Depois''.
Como tem gente que ainda não conhece,
acho que vale a pena republicar. Quintana
publicou este poema em 25/6/1978, no Folhetim, p. 2,
então suplemento do jornal Folha de S. Paulo:
Só porque vai deixando tudo para depois
é que Deus é eterno
e o mundo imperfeito.
A carta que foi interrompida
o poema que ficou inconcluso
a palavra que apenas sorriste
e não disseste...
é a vida!
Ah, se o mundo fosse perfeito
a gente morria de tédio
como numa utopia
unicamente povoada de estátuas gregas
_ antes estas nossas entidades equestres
porque sempre se fica pensando
nalguma coisa melhor.
Se o céu que me prometiam as minhas
velhas tias paroquianas fosse aquele mesmo
_ um domingo eterno _
antes o inferno, antes o inferno!
A verdade é que não quero sossego
também na outra vida.
Mas eu estava falando era nesta:
desconfio
que estou fazendo um poema em espiral!
O melhor é ir pingando logo aqui
estes três pontinhos...
estes três pontinhos...
O resto é um eterno depois.



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